4 de março de 2016

HOJE NA HISTÓRIA DO CHORO.

Ademilde Fonseca ainda reina como majestade do Choro Cantado.


Nascida em 4 de março de 1921 em São Gonçalo do Amarante, Rio Grande do Norte, Ademilde Fonseca completaria hoje 95 anos. 

Ela, que é considerada a maior intérprete do choro cantado, nos deixou interpretações preciosas, que justificam o título de a "Rainha do Choro" que lhe foi conferido por Benedito Lacerda. Apesar de seu falecimento em em 27 de março de 2012, o título e a majestade continuam lhe pertencendo pois Ademilde é a pura tradução do verso de "Brasileirinho" que diz: "não há quem possa resistir, quando o chorinho brasileiro faz sentir".

Ademilde inscreveu seu nome na história da MPB graças ao êxito obtido pelas gravações de Tico-tico no fubá, Apanhei-te, cavaquinho e Urubu malandro, entre inúmeros outros achados da década de 40. Almejando difundir o talento musical nordestino Brasil afora, sua trajetória não foi muito diferente da de seus conterrâneos. Ainda cedo rumou para o Rio de Janeiro, cidade que, na época, dando abrigo às mais prestigiadas rádios do país, polarizava todas as esperanças de sucesso. 
O choro, gênero que projetou sua carreira de maneira bastante peculiar, entrou antes em sua vida: aos sete anos de idade, quando aprendeu, para se exibir numa festa da escola, a quase desconhecida letra de Tico-tico no fubá —choro composto em 1917 por Zequinha de Abreu e letra escrita por Eurico Barreiros, após a morte do compositor. 
Mas foi na década de 40, no Rio de Janeiro, que sua carreira se projetou nacionalmente, após ser apresentada a Benedito Lacerda (encontro do qual nasceu uma grande afinidade) passou a trabalhar na Rádio Clube e, muito embora não fosse contratada, cantava acompanhada pelo regional do flautista. 
Incentivada por esses mestres, a cantora foi aos estúdios da gravadora Columbia, na época dirigida por João de Barro (o Braguinha), em agosto de 1942 e fez a sua primeira gravação: Tico-tico no Fubá. O 78 rotações que marcaria sua estreia e também sua carreira com outros tantos Choros que foram imortalizados em sua voz.



Após o sucesso da versão instrumental de "Brasileirinho", lançada em 1949 por Waldir Azevedo em seu disco de estreia, Pereira Costa escreveu versos, que seriam gravados por Ademilde Fonseca na mesma Continental, com lançamento em julho de 1950, disco 16256-A, matriz 2315. "Brasileirinho" foi um dos carros-chefes da cantora potiguar.


Em 2010, a Cantora mineira Lígia Jacques, associada ao Clube do Choro de BH, fez uma linda homenagem à mestra, através do álbum "Choro Cantado". A proposta do projeto Choro Cantado foi justamente registrar e resgatar choros que se destacam também pelas letras. O objetivo da produção foi unir música e letra com precisão, valorizando a poesia e a interpretação. Este trabalho foi apresentado à Ademilde Fonseca ainda viva e entrou para a lista das merecidas homenagens por ela recebidas.

Hoje no Choro, Ademilde  Fonseca completa 95 anos. Parabéns Rainha.