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31 de janeiro de 2020

112 anos do Maestro Fon Fon, o primeiro maestro de orquestras no Brasil a utilizar naipes de saxofones e metais.

Ele nasceu Otaviano de Assis Romeiro Monteiro, em 31 de janeiro de 1908, em Alagoas, mas entrou para a história da música brasileira como Maestro "Fon Fon".  

Otaviano Romeiro Monteiro - Maestro Fon Fon
Aos 10 anos, Otaviano Romeiro Monteiro, filho de Amaro Romeiro e Luzia de Assis, já tocava pífanos, em Santa Luzia do Norte (AL). Ainda jovem, mudou-se para São Paulo e ingressou no Batalhão de Polícia com a intenção de fazer parte da banda de música, o que não conseguiu, pois não sabia ler partitura.
Deixando a Força Pública paulista, regressou para Alagoas, onde trabalhou como correntista em escritório e começou a estudar música. Em 1927, perseguindo seu sonho da carreira musical, mudou se para o Rio de Janeiro e ingressou no Regimento de Infantaria. Na capital carioca, estudou música com o contramestre Garrafinha. Aprendeu saxofone com o músico Dedé, que lhe deu o apelido, pois ao tocar o saxofone, não tirava direito os agudos, fazendo apenas um simples "fon fon".

Orquestra Romeu Silva, onde o saxofonista Fon Fon tocou no início da sua carreira no Rio de Janeiro.
Em 1930, Otaviano Monteiro abandonou o Exército e passou a dedicar-se apenas à música, iniciando sua profícua carreira musical no Brasil e no exterior. Iniciou como integrante da Orquestra de Romeu Silva, com quem excursionou pela Argentina. 
Em 1933, fez sua primeira gravação, interpretando ao saxofone o choro "Cláudio", de Paulino de Oliveira Santos, com acompanhamento de conjunto regional e no ano seguinte, criou sua primeira orquestra, para atuar no Cassino Assyrio no Rio de Janeiro, e que contou, entre outros, com Zaccarias na clarineta, Fats Elpídio no piano, Pernambuco no piston e Moysés Friedman na bateria. Foi o primeiro maestro de orquestras no Brasil a utilizar naipes de saxofones e metais, dando a sua orquestra uma sonoridade especial. 

Maestro Fon Fon e seus músicos em Londres
No início da década de 40, excursionou com sua orquestra para a Argentina e nos anos seguintes, acompanhou com sua orquestra, na Odeon, grandes artistas como Francisco Alves, Gilberto Alves, Ataulfo Alves, Odete Amaral, Jararaca e Ratinho, Dircnha Batista, Moreira da Silva, Joel e Gaúcho, Almirante, Emilinha Borba, Aracy de Almeida, Raul Torres e Serrinha, além de gravar choros e polcas de compositores de sucesso como Ernesto Nazareth.
Em 1944, a cantora Odete Amaral gravou o choro "Murmurando", de autoria do Maestro Fon Fon, com letra de Mário Rossi, que se tornou um clássico do choro cantado e das rodas de Choro instrumental.
Em 1947, após receber convite do Club Champs Elysées ele foi com sua orquestra para Paris, permanecendo na Europa por quatro anos, apresentando-s em diversos países, inclusive na Grécia, onde faleceu prematuramente em 10/8/1951.

Joel Nascimento - bandolim, João Camarero - violão 7 cordas , Marcos Nimrichter - acordeon, Beto Cazes - percussão, Henrique Cazes - cavaquinho interpretam Murrmurando, de autoria do Maestro Fon Fon, com letra de Mário Rossi. Vídeo: Instrumental Sesc Brasil.

DISCOGRAFIA
NO BRASIL
(1932) Cláudio • Columbia • 78
(1944) Rato, rato/Deixa por minha conta • Odeon • 78
(1945) Turbilhão de beijos/Odeon • Odeon • 78
(1946) Soluços/Aguenta a mão • Continental • 78
(1946) Relembrando/Liszamba • Continental • 78
(1946) Um baile em Catumbi/Murmurando • Odeon • 78
(1947) Já vai tarde/Você não pensou • Odeon • 78
(1947) Urubu malandro/Remeleixo • Odeon • 78
(1948) No meu tempo era assim/É assim que eu gosto • Odeon • 78
NO EXTERIOR
(1950) Fon-Fon et as musique du Brésil • London • LP
(Na excursão realizada para Paris, gravou pelo selo London o LP "Fon-Fon et as musique du Brésil", não editado no Brasil).
(1951) foi lançado pelo selo London, da Inglaterra, o LP de 10 polegadas "Fon Fon Brazilian Rhytms" que contou com a participação vocal da cantora Horacina Correia nas faixas "Na Baixa do Sapateiro", de Ary Barroso, "Deseo", de Bienvenido Granda, "Passo do Ginga", de Sá Róris, "Chiquita Bacana", de João de Barro e Alberto Ribeiro, "Jacarepaguá", de Paquito, Romeu Gentil e Marino Pinto, "Terra Seca", de Ary Barroso, e "Zumba", de Murilo Caldas e Moysés Friedman, ainda fizeram parte do disco as faixas instrumentais "Os Pintinhos no Terreiro", de Zequinha de Abreu, e "Remechendo", de Radamés Gnattali.