O Portal Musica Brasilis foi criado em 2009 pela musicista Rosana Lanzelotte para suprir a falta da disponibilidade de partituras brasileiras para execução e se tornou o maior repositório de partituras gratuitas de músicas brasileiras de todos os tempos e gêneros. O acervo disponibiliza mais de 2.500 partituras, de mais de 300 compositores de todos os tempos e gêneros, livres de direitos.
O portal é mensalmente consultado por 45.000 usuários de todo o mundo. As pesquisas podem ser realizadas pelo nome do compositor ou da obra. Além disso, ainda oferece recursos educacionais incluindo:
Rosana Lanzelotte criadora do portal. Foto: divulgação
INSTRUMENTOS: uma visão panorâmica sobre os instrumentos utilizados nas práticas associadas à música escrita. São abordados tanto instrumentos utilizados em orquestras, quanto aqueles empregados na música popular desde o século XVI até os dias de hoje. Os conteúdos apresentados originam-se parcialmente da pesquisa desenvolvida pela doutora em musicologia histórica Mayra Pereira que, em sua tese, investigou os diversos aspectos da presença dos instrumentos musicais no Rio de Janeiro nos períodos colonial e imperial.
ARTIGOS: que fazem referência a capítulos da história da música brasileira escritos por especialistas.
JOGOS: jogos musicais que proporcionam uma forma lúdica de de apropriação dos repertórios brasileiros.
ESCUTAS GUIADAS: As escutas guiadas ilustram o funcionamento das partituras. A audição da peça é sincronizada com o desfilar da partitura e com a apresentação de comentários analíticos.
PLANOS DE AULA: Os planos de aula destinam-se aos professores que desejam utilizar os conteúdos do portal Musica Brasilis em suas aulas de música em uma abordagem transversal com outras disciplinas. Há ainda sugestões de atividades a serem desenvolvidas em sala de aula.
Além de tudo isso, o portal mantem uma sessão de NOTÍCIAS relevantes e com atualizações permanentes.
O projeto Acervo Digital de Partituras Brasileiras, com duração prevista até 2024, tem como objetivo dar acesso livre e aberto a edições de 5.000 partituras de compositores. Então, conheça hoje mesmo esse acervo fantástico para usufruir do seu conteúdo e conhecer formas de levar o seu apoio.
Conservatório UFMG - Fachada principal em estilo neoclássico. Foto: Secult.mg
O Conservatório UFMG está comemorando 20 anos como espaço cultural. Ao longo de duas décadas, vem oferecendo ao público uma programação musical intensa e diversificada com concertos gratuitos e de qualidade, valorizando e divulgando talentos. E por vários momentos, o Clube do Choro de Belo Horizonte ocupou seus espaços através de eventos e shows que objetivaram divulgar o Choro como um gênero de grande importância no cenário artístico em nossa cidade.
Por isso, unimos nossos aplausos a esta celebração que o Conservatório preparou para hoje. Estreia nesta sexta (4) um vídeo inédito que nos relembra um pouco da história destes 20 anos do Conservatório UFMG.
Dedicado ao ensino da música, o Conservatório passou a integrar a Universidade Federal de Minas Gerais em 1966, funcionando como sua Escola de Música por trinta anos, até a transferência da unidade para o campus Pampulha. Após abrigar a Comissão Organizadora do Centenário da cidade em 1997, o prédio passou por grande reforma, sendo restaurado e ampliado, e teve seu novo formato inaugurado em agosto de 2000, já sob o novo nome, Conservatório UFMG.
Além de belíssimo, o edifício cuja construção é de 1925, assim como elementos que o compõem, são reconhecidos como patrimônio cultural pelo IEPHA - Instituto Estadual de Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais.
O conjunto foi tombado em âmbito estadual em 15 de março de 1988. O tombamento levou em conta não só a edificação, mas também a função social marcante na vida musical e cultural de Belo Horizonte.
Sala de Recitais (Auditório) do Conservatório UFM. Em destaque, no palco, piano Steinway & Sons
e tela de Antônio Parreiras, com cena da Òpera Tiradentes. Foto: Foca Lisboa
A construção tem estilo neoclássico, inspirando-se em releituras da arquitetura clássica europeia, baseadas em razão e equilíbrio. Em sua fachada principal destacam-se as colunas colossais de fuste canelurado e capitel coríntio. Em seu interior, a escadaria central com um grande vitral que ilumina o pátio interno, além de obras pictóricas na Sala de Recitais (Auditório). São treze telas que retratam cenas da Ópera Tiradentes, de Manoel Joaquim de Macedo Júnior e que estão registradas Livro do Tombo Histórico, das obras de Artes Históricas e dos Documentos Paleográficos ou Bibliográficos.
Detalhe do capitel da fachada principal
sendo restaurado em 1999 - Foto Éber Faioli
Piso de ladrilho hidráulico, no 2º pavimento. Está registrado no Livro do Tombo Histórico, das obras de Artes Históricas e dos Documentos Paleográficos ou Bibliográficos. Foram restaurados em 1999, conforme projeto original. Foto de Bruna Acácio.
O VITRAL E A ESCADARIA PRINCIPAL
(vista desde o 2º piso) estão registrados no
Livro do Tombo Histórico, das obras de Artes Históricas e dos Documentos Paleográficos ou Bibliográficos. Fotos de Foca Lisboa
Fiquem agora com o especial: CONSERVATÓRIO UFMG - 20 ANOS COMO ESPAÇO CULTURAL que nos exibe detalhes e curiosidades deste importante espaço, através de imagens e depoimentos históricos.
(Fonte dados e fotos - Divulgação Conservatório UFMG)
Elizeth Moreira Cardoso nasceu em São Francisco Xavier, em 16 de julho de 1920 e assim nos traz a alegria de celebrarmos o seu centenário, aplaudindo sua carreira inigualável como cantora e intérprete e a referenciando como uma diva, cujo epíteto de “A Divina” lhe eleva à altura de sua importância para a música brasileira.
Era filha de Dona Moreninha, baiana que gostava de cantar e um enfezado seresteiro, seu Jaime que era também fiscal da Prefeitura. Apesar dos zelos que lhe cercava o pai, Elizeth aos 5 anos de idade e “muito exibida”, já subia ao palco da Sociedade Familiar Dançante Kananga do Japão, localizada na Praça XI, para mostrar suas artes cantando a marcha “Zizinha”. Nos circos improvisados nos quintais da vizinhança e na célebre Casa Tia Ciata, para onde escapulia de vez em quando, Elizeth também cantava. Aos 10 anos teve que largar os estudo se já aos 13 começou a trabalhar em um varejo de cigarros e em atividades como pedicure, cabeleireira, telefonista, peluqueira, sempre para ajudar nas necessidades financeiras de casa.
Elizeth conheceu Jacob aos 15 anos de idade e seguiu vida afora numa parceria musical
Em sua própria festa de aniversário, aos 15 anos, ela conheceu Jacob do Bandolim que desejou leva-la para cantar no rádio. Impedida pelo pai, adiou sua estreia que veio acontecer em 1936, no programa “Suburbano”, da Rádio Guanabara, onde ali também estavam se apresentando seus ídolos Noel Rosa, Marília Baptista, Araci de Almeira e Vicente Celestino.
Na sequência, começou a participar esporadicamente em programas na Rádio Transmissora Mayrink Veiga. Em 1939, conseguiu uma vaga em uma companhia teatral e foi excursionar pelo Brasil, quando conheceu o cavaquinista e humorista Ary Valdez (Tatuzinho), com quem veio a se casar e de quem se separou ao retornar ao Rio e já estando grávida. Para sustentar o filho, trabalhou como Taxi Girl, passando logo em seguida a atuar como Crooner nos mesmos dancings cariocas, no Salão Verde em São Paulo e na Orquestra do Maestro Cerejeira.
Durante sua carreira, Elizeth cantou como crooner e em várias emissoras de rádio.
Em 1948, durante uma temporada no Dancing Belas Artes, ela conheceu o compositor Evaldo Rui, irmão do radialista e compositor Aroldo Barbosa, que lhe conduziu a uma participação na Rádio Mauá, que culminou em uma contratação pela Rádio Guanabara, onde tinha começado sua carreira aos 16 anos.
Seu primeiro disco 78'' finalmente foi produzido pela gravadora Star, através de uma contratação intermediada pelo já famoso compositor Ataulfo Alves. Este primeiro disco, onde estava registrada uma composição do próprio Ataulfo, sofreu um problema de prensagem e teve que ser recolhido à fábrica, adiando a oportunidade de ter sua voz divulgada través de um fonograma.
De retorno aos trabalhos como crooner ela foi descoberta pelo cantor, compositor e divulgador Erasmo Silva que a conduziu para um contrato pela Toda América, gravadora onde também faziam parte do elenco Doris Monteiro e Ademilde Fonseca. Ali, em 1951, Elizeth gravou seu primeiro disco 78”, interpretando no lado A, um samba de Wilson Batista e no lado B, a “Canção de amor”, composta por Chocolate (Dorival Silva) em parceria com Elano de Paula (irmão de Chico Anysio e operador técnico da Rádio Guanabara) e que veio a se tornar um dos seus grandes sucessos e também lhe abriu as portas da Rádio Tupi, então vice líder de audiência nacional.
A partir daí, sua carreira deslanchou através de participações em diversos filmes de Chanchada e Teatro de Revista produzidos na época, temporadas em shows em boates famosas e importantes contratos em outras rádios e emissoras de TV para apresentações ao vivo, no Rio e São Paulo.
A partir de 1954, através de contrato pela Continental realizou várias regravações e editou seu primeiro LP que, no entanto, não alcançou grande sucesso à época. Seguindo para a Copacabana Discos se transformou na grande estrela da casa, onde fez uma belíssima carreira, ao lado de Ângela Maria e Inezita Barroso que também permaneceram nesta gravadora por várias décadas. Exatamente neste período, ganhou o epíteto de “A Divina” que lhe foi atribuído pelo produtor Aroldo Costa que, substituindo um colunista da época no “A Última Hora, foi assisti-la em um show e a definiu assim em uma crítica publicada naquele jornal.
A elegância sempre foi um dos seus traços
Em 1957 foi lançado seu primeiro disco pela Gavadora Copacabana, intitulado “Fim de Noite” e onde interpreta composições de Noel Rosa e outras de autores também importantes. Neste mesmo ano regravou composições de Fernando Lobo e clássicos da música brasileira, incluindo composição de Custódio Mesquita , um precursor das melodias modernas que a Bossa Nova iria estilizar. Também atuou na Revista “Mister Samba”, de Carlos Machado, quando cantou “É luxo só” composta por Ary Barroso e Luiz Peixoto, especialmente para ela.
Cedida para o selo “Festa”, dirigido por Irineu Garcia e que se dedicava a gravações de poesia, ele gravou um dos seus discos históricos: “Canção do amor demais”, onde gravou composições de Vinícius de Moraes e Tom Jobim e com participações de João Gilberto ao violão. Em 1958 ela lançou “Retrato da Noite”, disco que regravou grandes canções com sua marca e contou com arranjos do consagrado maestro Radamés Gnatalli (apesar de seu nome não ter sido creditado na ficha técnica por razões contratuais). Em 1959 gravou um novo álbum cujo título “Magnífica” representava um outro epíteto dado a ela pelo importante cronista da época, Mister Eco.
Na virada dos anos 60, aconteceu o grande momento de decolagem de sua carreira. Nesta época, viajou para Miami representando o Brasil em um festival e fez uma temporada de com grande sucesso. Bastante considerada pelos artistas e jornalistas , musa dos intelectuais da época , foi eleita a “Rainha dos Músicos”. Gravou novos discos, foi contratada pela Rádio Nacional, excursionou por Portugal e Espanha onde cantou ao lado de Ataulfo Alves o samba “Mulata assanhada” que fez grande sucesso também fora do Brasil e tornou-se um dos seus grandes emblemas. “A meiga Elizeth” foi uma série de 5 discos onde ela gravou neste período da carreira, sucessos memoráveis de Luiz Reis e Aroldo Barbosa como “Nossos momentos”, “Notícia de Jornal”, e outras de compositores como Dolores Duran que acabara de falecer tão precocemente e à qual ela faz uma homenagem cantando “A noite do meu bem” e “Pela rua”.
Ela seguiu com novas gravações, lançando álbuns contendo composições com arranjos do maestro Moacir Santos e que marcou com sua voz e interpretação tão próprias. Gravou novamente composições de Luiz Reis e Aroldo Barbosa, Vinícius de Moraes, Baden Powell e trouxe para as novas tecnologias da época, regravações do início da sua carreira.
Agora, já como uma grande estrela, viajou em tournée pelo Uruguai acompanhada pelo maestro Moacir Silva e Sambalanço e inicia uma nova fase de sua carreira musical. Em 1964, Elizeth seria a primeira cantora popular a postar-se diante de um naipe de cellos para interpretar a Bachiana nº5 de Villa-Lobos, nos recintos sagrados dos teatros Municipais de São Paulo e Rio de Janeiro.
Outras gravações deram vez a muitos sucessos como “Manhã de Carnaval” de Antônio Maria e Luiz Bonfá que levou sua voz para todas as partes do mundo; “Nossos momentos”, “Magnífica”, “Naquela mesa”, novas músicas de Vinícius, em parceria com Baden e Moacir Santos, além de composições revelando novos autores como Paulinho da Viola e João Nogueira.
Com a direção de Hermínio Bello de Carvalho, lançou o clássico álbum “Elizete sobe o morro” e deu início a diversos encontros musicais com novos artistas como Rafael Rabello e nomes consagrados da MPB como Nelson Cavaquinho. Seguiram-se shows Bibi Ferreira e o crescente círculo de amigos do qual faziam parte Antonio Maria, Vinicius de Moraes, Fernando Lobo, Eneida, Ary Barroso entre outros expoentes da MPB.
Elizeth seguiu com o coração colecionando amores e a carreira conquistando troféus. Tantos que resolveu doá-los ao Museu da Imagem e do Som. Seguiu viajando pelo mundo, foi diversas vezes ao Japão onde gravou discos e era sempre ovacionada . Mas fiel, nunca deixa de ir saracotear no Bola Preta ou de sair de destaque em sua Portela. Ela seguiu, cantando e encantando como “Cantadeira do Amor” como bem lhe intitulou Hermínio Bello de Carvalho que também declarou: “não de lembro de outra cantora brasileira que tenha acumulado tantos adjetivos ao longo de sua vida, quanto Elizeth Cardoso".
A discografia de Elizeth Cardoso é grande e seguiu até os
anos 80. Década em que chegou a embalar seu primeiro neto e a gravar mais dois
discos sucessivos. Um em homenagem a Ary Barroso, que em vida a consagrava como
a grande voz do Brasil e outro e último com o violão de Rafael Rabello e a voz densa e especialmente
emocionada em “Todo Sentimento” de Chico Buarque.
Toda esta emoção ela nos
causou também quando, logo depois, em 7 de maio de 1990, vítima de um câncer, ela partiu e o Brasil teve que se despedir da "Enluarada", da "Magnífica", da "Primeira Dama da Música Brasileira" e sua "Divina" Elizeth.
ELIZETH RENASCE EM FORMA DIGITAL
No momento em que celebramos os 100 anos de nascimento de Elizeth Cardoso, temos como grande comemoração, o lançamento em streaming de uma parte muito considerável
de sua obra. Este lançamento assinado pela Universal Music que promete 26
títulos da cantora e mais três playtlists exclusivas. Serão ao todo 17 álbuns
de carreira, um coletivo, um EP com quatro faixas raras e sete compilações organizadas cronologicamente. Lembrando que já existiam 14 álbuns de carreira e cinco coletâneas acessadas
nas plataformas.
Desta forma, Elizeth nasceu no meio digital para um público
que pode ser o mesmo do LP ou não. Fato é que Elizeth que conseguiu unir a
tradição e a modernidade da música brasileira renasce aos 100 anos nas plataformas digitais e segue para sempre diva e divina e dona das maiores referências que a
música brasileira já possuiu.
E como não poderíamos deixar de pedir um bis à Divina, rogamos: canta um Choro! Ela canta Pixinguinha e ainda chama Jacob do Bandolim e o Conjunto Época de Ouro . Apreciem.
"Carinhoso", choro-canção de autoria de Pixinguinha e João de Barro, surge aqui na magistral interpretação da Divina Elizeth Cardoso, acompanhada por Jacob do Bandolim e seu Conjunto Época de Ouro (Dino, Carlinhos, Jonas e Gilberto) e a participação especial de Rubinho Barsotti do Zimbo Trio na bateria. Consta que Elizeth Cardoso, um tanto enfastiada de cantar essa música, de tanto que a solicitavam em shows, tentou declinar dizendo que não sabia o tom. No entanto, Jacob deu o tom e Elizeth não viu outra saída que não fosse interpretar mais uma vez — e lindamente — esse clássico da música brasileira. Gravação realizada na noite de 19.02.1968 em show que resultaria na série de LPs "Elizeth Cardoso ao Vivo no Teatro João Caetano", lançado pelo Museu da Imagem e do Som. Cesar Faria, violonista do Época de Ouro, não pôde participar desse show porque estava com hepatite.
O Instituto Piano Brasileiro (IPB), fundado em agosto de 2015 pelo pianista e pesquisador Alexandre Dias. Com o objetivo de atuar no resgate e divulgação das ricas tradições pianísticas brasileiras, em toda sua complexidade, busca enxergar o Piano Brasileiro de maneira completa, desde suas primeiras manifestações no início do século XIX até a música que é composta hoje, passando pelas diversas nuances do piano erudito e do piano popular. Através do portal www.institutopianobrasileiro.com.br são disponibilizadas as bases de dados, que englobam diversas facetas do piano brasileiro, incluindo uma enciclopédia, discografias, catálogos de partituras, linha do tempo, imagens, biblioteca e um blog. O IPB também existe na forma de páginas em redes sociais, um canal no youtube, um acervo físico, uma editora, e uma sede física em Brasília, inaugurada em 2018.
O Instituto realiza um trabalho intenso que consiste na digitalização de acervos e disponibilização online de fontes primárias de pesquisa, editoração e revisão de partituras brasileiras, disponibilização de gravações raras, geração de vídeos com partituras brasileiras sincronizadas com o áudio, divulgação de notícias relacionadas ao mundo do piano, entrevista com pianistas, e geração de conteúdo online, disponível em seu banco de dados para consulta pública. Além disto tem como objetivo produzir pesquisas inéditas a partir de todo este material, contribuindo para o avanço do conhecimento sobre o piano no Brasil. E esta atenção é voltada tanto para compositores como para pianistas, buscando trazer à tona suas carreiras e sua produção.
IPB - uma história para ser apreciada
O trabalho também é voltado para pesquisadores, profissionais da mídia e o público geral interessado, além de funcionar como um estímulo para aqueles que ainda não tiveram contato com o universo do piano brasileiro, e tenham curiosidade em conhecer mais a respeito.
Em 2017, o IPB recebeu o Prêmio APCA na categoria "Melhor projeto musical", destacando o trabalho do instituto em nível nacional e no último ano ganhou o Prêmio Concerto 2019, na categoria "Grande prêmio". Este é um dos prêmios mais importantes do país, escolhido espontaneamente (não há candidatura), e votado por um time de críticos com amplo conhecimento da música no Brasil.
Com a palavra o fundador do IPB, Alexandre Dias:
Conheça mais sobre o Instituto Piano Brasileiro. acessando o site e o canal no Youtube
O mês de junho chega trazendo um repertório tradicional de uma das festas mais populares brasileiras. Em uma das edições da Série Pixinguinha na Pauta, veiculada pelo canal web Rádio Batuta, as marchinhas juninas ganharam destaque. Nesse programa, a equipe põe para tocar sucessos juninos lançados entre 1935 e 1949. Composições que se popularizaram através das ondas do rádio e dos discos, à época cada vez mais acessíveis, e nas vozes de grandes intérpretes como Carmem Miranda, Francisco Alves, Dalva de Oliveira, Dircinha Batista, Mário Reis, entre outros.
Como arranjador mais produtivo daquela época, Pixinguinha foi um dos personagens fundamentais na construção da nova tradição musical, colocando sua assinatura inconfundível de arranjador nas novas marchas, que seriam tão populares como as de Carnaval. Entre elas, o primeiro sucesso junino gravado em junho e lançado em julho de 1933: "Chegou a hora da fogueira", composição de Lamartine Babo, gravada por Carmem Miranda e Mário Reis, acompanhados pelos Diabos do Céu.
O arranjo de Pixinguinha é um capítulo à parte, que certamente contribuiu muito para que ela se tornasse um clássico vitalício da música junina.
Ouça, na íntegra, o especial "Pixinguinha Junino" produzido em 2016, apresentado por Pedro Paulo Malta, com roteiro de Pedro Paulo Malta, Paulo Aragão, Marcílio Lopes e Bia Paes Leme.
O italiano Angelo Zaniol é professor universitário, historiador, organólogo, compositor, arranjador, instrumentista, desenhista, artista plástico e luthier, e para nossa felicidade, apaixonado pelo Brasil. Por aqui, ele aportou em 1995 e, desde então, vem se dedicando à música brasileira, em trabalhos de diferentes formatos. Entre eles, como webmaster do recém-extinto site www.joaopernambuco.com, lançado oficialmente em 16/10/2007, no dia/mês do falecimento de João Pernambuco, e em celebração ao 60º aniversário da morte deste importante, mas até então pouco difundido compositor brasileiro. No entanto, para nossa infelicidade, apreciadores e seguidores do website, e de outros que estavam por descobri-lo, a página que já contava 11 anos de riquíssimo material disponibilizado por Zaniol teve que ser extinta. O refinado musicista italiano se viu obrigado a encerra-la, em decorrência da ação irresponsável de marginais.
Para continuar a divulgar sua rica obra musical, constituída por composições próprias (com destaque para os Choros), arranjos e resgate (transcrições e edições) de obras antigas, Angelo Zaniol acaba de criar um canal no YouTube, cujo conteúdo ele gostaria de compartilhar com os músicos brasileiros, particularmente com os chorões de Minas Gerais, onde esteve por sua passagem pelo Brasil e onde compôs amizades afinadas.
Angelo Zaniol, em sua residência (Castelfranco Veneto, 1994), manuseando o cavaquinho que construiu. Foto: "Histórias do Choro"
Amizade ítalo-brasileira
Em Belo Horizonte, Zaniol fez grandes amigos. Entre eles, o médico, pesquisador e músico Luiz Otávio Savassi.
Sócio, desde 2006, e membro do Conselho Deliberativo do Clube do Choro de BH, Luiz Savassi assinou de agosto de 2013 a dezembro de 2015, a Coluna bimestral "Histórias do Choro" que deu origem à obra literária impressa "Histórias do Choro: Crônicas reunidas", lançada em maio de 2016, durante as celebrações dos 10 anos do Clube .
Entre estas crônicas, inclui-se "Um encontro improvável" (págs. 35-48), dedicada pelo autor ao amigo Zaniol, relatando uma história de amizade, pautada pela excelência da música. A crônica foi pre-lançada neste blog, em dezembro de 2013, e continua disponível para leitura.
Em seu atual Canal no Youtube, Zaniol faz menção ao livro "Histórias do Choro: Crônicas reunidas". No videoclipe “Renda de Notas”, ele interpreta o Choro que compôs em homenagem ao saudoso Altamiro Carrilho e, no videoclipe “Cavaquinho Feiticeiro”, ele interpreta o Choro que compôs em homenagem ao exímio cavaquinista Ausier Vinícius, que conheceu por intermédio de Luiz Otávio Savassi, quando esteve em BH no ano de 1995 e hospedou-se na residência do amigo. As reverências amistosas incluem também o videoclipe com o arranjo que Zaniol fez para uma valsa de autoria de Luiz Otávio Savassi, "Rua Tuiuti", dedicada à esposa Ana Maria (o título da valsa refere-se à rua homônima do Bairro Padre Eustáquio, onde Ana Maria residia quando o autor a conheceu) e o videoclipe referente à composição "Escala Real", dedicada à família do amigo brasileiro.
Com mais de 80 anos, Angelo Zaniol continua apaixonado pela música brasileira e contribuindo ricamente para sua difusão. Pela sua importância, o trabalho de Zaniol merece ser compartilhado por todos. Acesse e inscreva-se em seu Canal. Manifeste-se enviando mensagens para o musicista, nesse retorno tão importante para ele e todos nós. (As eventuais mensagens podem ser redigidas em português).
O Teatro de Bolso do Sesc Palladium receberá no próximo sábado, 8 de abril, a primeira edição do ano da Série Concertos Sesc Partituras. A atração será a pianista Luísa Mitre que vai visitar as origens do piano brasileiro através da obra de quatro compositores atuantes na transição entre os séculos XIX e XX: Eduardo Souto, Júlio Reis, Chiquinha Gonzaga e Ernesto Nazareth. No repertório, um retrato musical de uma geração de pioneiros que, transitando entre os universos da música popular e erudita, sedimentaram e registraram elementos essenciais da música brasileira em seus instrumentos. A apresentação acontece a partir das 19h30, com entrada gratuita.
Luísa Mitre é pianista, bacharel em piano pelo curso de Música Popular da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e mestranda em performance musical na mesma instituição. Atua principalmente na cena musical do choro e da música instrumental brasileira em Belo Horizonte. Desenvolve, como instrumentista e educadora, intenso trabalho de pesquisa sobre o piano brasileiro.
SESC PARTITURAS
O Sesc Partituras é uma biblioteca digital, sem fins lucrativos, que visa preservar e difundir o patrimônio musical brasileiro, democratizando o seu acesso através da disponibilização de partituras digitalizadas e editoradas.
Utilizando eficiente sistema de busca, o site permite a visualização e impressão integral das obras catalogadas e a audição da maioria delas, oferecendo importante suporte a músicos, estudantes de música e pesquisadores.
O projeto, realizado pelo Departamento Nacional do Sesc, contempla trabalhos de compositores brasileiros de várias gerações, desde o período colonial até os dias de hoje. Obras originais de interesse histórico, muitas delas pertencentes a acervos particulares de compositores, herdeiros ou de colecionadores, estão sendo editoradas e catalogadas por especialistas com vistas à sua definitiva preservação.
O acervo também abrange obras de compositores contemporâneos, muitos ainda jovens e pouco conhecidos, caracterizando o site como um ambiente difusor da produção musical brasileira em sua ampla diversidade, tornando-o um espaço de convergência dos diversos segmentos ligados à cadeia produtiva da música.
Preparando novos projetos musicais para 2016? Está planejando renovar e ampliar o repertório?
O blog do Clube do Choro dá uma forcinha para você encontrar novas partituras para tocar, estudar ou analisar.
A dica de hoje é o site "Super Partituras". Lançado em 2014 é considerado por alguns usuários como um dos melhores e maiores sites para pesquisa e download de partituras populares. Já são mais de 12 mil registros e está sempre em atualização.
As partituras estão organizadas por instrumento, gênero musical e dificuldade, o que torna bem fácil a pesquisa, sem contar que o site é bem intuitivo.
No gênero Choro, você encontrará catalogadas mais de 4 mil partituras. Vale conferir.
2015 já está no ar e desejamos que ele permaneça afinadíssimo. Pensando assim, o blog do Clube do Choro publica hoje uma lista de links que irão lhe redirecionar para vários acervos digitais. Aproveite as férias e comece o ano renovando e ampliando seu repertório. Confira abaixo.
Idealizado pelos pianistas e pesquisadores Alexandre Dias e Wandrei Braga o site do Acervo Digital Chiquinha Gonzaga dá acesso à obra da compositora para piano solo, canto e piano e outras formações. Chiquinha está entre os compositores mais prolíficos de seu tempo, porém sua obra ainda é em grande parte desconhecida tanto do público quanto dos músicos.
Durante mais de três anos, os pianistas e pesquisadores Alexandre Dias e Wandrei Braga garimparam partituras em diversas fontes, incluindo acervos de bibliotecas, pesquisadores, colecionadores e, em 2010 em parceria com o Instituto Moreira Salles, completaram as estimativas, um salto considerável, de aproximadamente 12 músicas que estavam disponíveis comercialmente, para mais de 300 partituras de Chiquinha Gonzaga, que estarão disponíveis gratuitamente.
No site do IMMUB (Instituto Memória Musical Brasileira) você encontra um dos maiores arquivos online de informações, sons e imagens da discografia brasileira, disponível na internet para consultas gratuitas. Com mais de 80 mil discos catalogados, é possível realizar pesquisas cruzando o nome do disco, da música, do intérprete, do compositor, o ano de lançamento, o nome da gravadora e o tipo de mídia. Para pesquisar, você pode usar apenas um ou mais campos e ainda pode refinar o resultado.
Os áudios são disponibilizados para execução no site (não para download) e os áudios estão em baixa qualidade já que o objetivo é auxiliar os pesquisadores a identificarem o fonograma desejado.
Além da pesquisa discográfica, o Instituto detém um banco de dados com 25 mil partituras da Banda do Corpo de Bombeiros do Estado do Rio de Janeiro. Assim, é possível imprimir gratuitamente milhares de arranjos completos, com notação musical original, incentivando o estudo musical, a perpetuação destas partituras, a formação e incentivo das bandas de música espalhadas pelo Brasil.
No ano de comemoração dos 150 anos de Ernesto Nazareth, o Instituto Moreira Salles, guardião do acervo do músico, lançou o site Ernesto Nazareth 150 anos. O endereço propõe a ser um alicerce para quem busca saber mais sobre o compositor, que na definição de Heitor Villa-Lobos foi a verdadeira encarnação da alma musical brasileira.
Na página, os pesquisadores e apreciadores da obra do mestre tem acesso à sua obra completa, com ordenamento por título, gênero ou ano. Há também outras sessões incluindo biografia com linha do tempo ilustrada, toda a discografia incluindo ficha técnica e uma especial para discos dedicados. Uma interessante sessão abre espaço para centenas de fotos relacionadas à vida e obra de Ernesto Nazareth, oriundas de diferentes acervos. A parte dinâmica fica por conta do blog que traz posts sobre eventos, shows, lançamentos e atualizações do site.
O portal Acervo Digital do Violão Brasileiro, criado e editado por Alessandro Soares e Elcylene Leocádio, nasceu de um desejo de facilitar a vida de violonistas, pesquisadores, historiadores e pessoas que gostam da música para violão e querem estudar e trabalhar com o tema. Ou simplesmente conhecer a história de nossa música.
O site disponibiliza um conteúdo vasto, incluindo discografias, partituras, acervo fotográfico, vídeos e, entre outras informações preciosas, uma biblioteca onde é possível acessar obras disponíveis para download gratuito.
No site dedicado ao compositor, trompetista, organista, regente e professor Henrique Alves de Mesquita (1830-1906) você encontrará um catálogo de obras, dezenas de partituras, discografia completa, letras, vídeos, e bibliografia.
Acesse o Acervo Digital Henrique Alves de Mesquita e conheça mais sobre a vida e obra deste artista que teve entre seus alunos ilustres, Joaquim Antônio da Silva Callado e Anacleto de Medeiros. Um talento admirado e homenageado por diversos compositores, como Chiquinha Gonzaga, cujo tango característico "Só no choro" (1889) é dedicado ao maestro Henrique Alves de Mesquita, e Ernesto Nazareth, que o homenageou postumamente com o tango característico "Mesquitinha" (1914).
Dedicado à memória do compositor brasileiro Marcello Tupynambá (Marcelo Tupinambá 1889-1953), o site oferece informações valiosas incluindo catálogo oficial de suas obras com mais de 200 partituras para download, letras de centenas de canções, extensa discografia, vídeos, filmografia, imagens, e listagem bibliográfica.
Acesse: Acervo Digital Marcello Tupynambá.
E para finalizar, registramos o meritoso trabalho realizado pela dupla Sandor Buys e Alexandre Dias. Eles são colaboradores e responsáveis pelo trabalho de pesquisa e organização de grande parte desses sites acima citados e também doBibliografia da Música Brasileira, dedicado a fornecer uma listagem abrangente da bibliografia da música brasileira de todas as épocas. Este é um trabalho em permanente atualização, que no momento conta com mais de 2000 referências e onde é possível pesquisar por palavra-chave dentro de cada listagem . No site são disponibilizadas para download publicações que estejam em domínio público.
Sandor Buys é biólogo e mestre em Ecologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e doutor em Zoologia pelo Museu Nacional-UFRJ e também músico, pesquisador em música e colecionador de discos, livros, revistas e partituras da música brasileira.
Alexandre Dias é pianista e desenvolve intensa pesquisa sobre a música brasileira da transição do século XIX para o início do século XX, tendo participado da concepção e coordenação de vários sites de acervos digitais e referências sobre música.
O portal Acervo Digital do Violão Brasileiro, criado e editado por Alessandro Soares e Elcylene Leocádio, nasceu de um desejo de facilitar a vida de violonistas, pesquisadores, historiadores e pessoas que gostam da música para violão e querem estudar e trabalhar com o tema. Ou simplesmente conhecer a história de nossa música.
O site disponibiliza um conteúdo vasto, incluindo discografias, partituras, acervo fotográfico, vídeos e, entre outras informações preciosas, uma biblioteca onde é possível acessar obras disponíveis para download gratuito. Entre elas, uma que o blog do Clube do Choro traz em destaque: O Violão e as Linguagens Violonísticas do Chorodo violonista e pesquisador, Carlos Walter. Associado ao Clube do Choro de BH, ele também tem registrado sua trajetória como intérprete, compositor e arranjador em Cd's de outros artistas e, no momento, prepara o lançamento do CD autorial onde registra as músicas que compôs, uma para cada mês de gestação do filho. Aguardem. Até lá, cliquem na capa e leiam esta elogiada obra.
No ano de comemoração dos 150 anos de Ernesto Nazareth, o Instituto Moreira Salles, guardião do acervo do músico, lançou o site www.ernestonazareth150anos.com.br. O endereço propõe a ser um alicerce para quem busca saber mais sobre o compositor, que na definição de Heitor Villa-Lobos foi a verdadeira encarnação da alma musical brasileira.
Na página, os pesquisadores e apreciadores da obra do mestre tem acesso à sua obra completa, com ordenamento por título, gênero ou ano. Há também outras sessões incluindo biografia com linha do tempo ilustrada, toda a discografia incluindo ficha técnica e uma especial para discos dedicados. Uma interessante sessão abre espaço para centenas de fotos relacionadas à vida e obra de Ernesto Nazareth, oriundas de diferentes acervos. A parte dinâmica fica por conta do blog que traz posts sobre eventos, shows, lançamentos e atualizações do site.
Nos bastidores dessa empreitada musical estão três apaixonados por Nazareth: Especialista na obra de Ernesto Nazareth e coordenador do site, o pianista e pesquisador Alexandre Dias acredita que o compositor ainda precisa ser descoberto pelo grande público. “Todo mundo conhece Odeon, mas nem todos sabem quem é o autor.” Para Paulo Aragão, violonista, arranjador e idealizador do portal, trata-se da chance de reunir toda a obra de Nazareth. “Nos espanta ainda haver composições inéditas, completamente esquecidas, algumas jamais gravadas.” O terceiro “pai” do portal é Luiz Antonio de Almeida, há 36 anos se dedicando à pesquisa da obra do compositor. Na gaveta, tem pronta "Ernesto Nazareth, Vida e Obra", alentada biografia à espera de editora. Almeida ocupa lugar privilegiado entre os “devotos” de Nazareth: é herdeiro honorário do acervo de seu biografado.