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5 de fevereiro de 2024

Documentário aborda o apagamento da negritude de Chiquinha Gonzaga

Filme de Juliana Baraúna, que estreia nesta segunda (5/2) no canal Curta, traz novo olhar sobre o legado pioneiro da compositora, maestrina e abolicionista.

Chiquinha Gonzaga era neta de ex-escravizada, mas pouco se fala de sua ascendência negra

crédito: Curta/reprodução

A trajetória de Chiquinha Gonzaga (1847-1935) é analisada sob novo viés em documentário que estreia nesta segunda (5/2), no canal Curta!. Dirigido por Juliana Baraúna, “Chiquinha Gonzaga – Música substantivo feminino” acompanha a vida pessoal, carreira artística e atuação político-social dela, por meio de depoimentos de uma série de mulheres.
São elas a biógrafa Edinha Diniz, autora de “Chiquinha Gonzaga – Uma história de vida” (Zahar, 2009), as pianistas Clara Sverner e Maria Teresa Madeira, a socióloga Carolina Alves, a filósofa Helena Theodoro e a regente Andréa Botelho.

Entremeando depoimentos e imagens de época, canções de Chiquinha são apresentadas pelo Grupo Chora – Mulheres na Roda.

O pioneirismo da compositora, musicista e maestrina (aprendemos que o termo foi cunhado para Chiquinha, pois antes dela mulheres jamais haviam regido no Brasil) sempre foi destacado. O que o documentário faz é atualizar esta leitura.

Sua criação mais popular, a marcha-rancho “Ó abre alas” (1899), é considerada a primeira canção carnavalesca brasileira. O simples verso “Ó abre alas/ que eu quero passar” pode também ser visto como chamamento a todos os brasileiros – incluindo mulheres, negros, indígenas, populações “invisíveis” naquele período.


Francisca Edviges Neves Gonzaga teve uma vida singular desde o nascimento. Filha de José Basileu Gonzaga, marechal de campo do Exército, e de Rosa Maria Neves de Lima, filha de uma ex-escravizada, nasceu fora do casamento formal. Foi a terceira filha (a primeira a vingar) do casal, que só mais tarde formalizou sua união.

Paixão pelo piano

O documentário fala do apagamento da ascendência negra de Chiquinha, já que pouco se sabe dos registros maternos dela. Foi criada como “sinhazinha”, aprendendo línguas, bordado e música. O piano logo desperta paixão, que não diminui com o casamento, aos 16 anos, com Jacinto Ribeiro do Amaral – o Marquês, futuro Duque de Caxias, foi um dos padrinhos.

Vieram o primeiro filho, João Gualberto, e a segunda, Maria do Patrocínio. O casamento já havia desandado, o marido via no piano um rival. Há um rompimento no navio de Jacinto, em plena Guerra do Paraguai (1864-1870). A gravidez de Hilário retarda a separação, que vai ocorrer quando o terceiro filho tinha alguns meses.

Chiquinha foi embora de casa sem as crianças. Sua ascensão no cenário musical se dá em meio a muitas dificuldades. A polca “Atraente”, surgida durante o encontro com vários músicos, teve a partitura rasgada várias vezes por sua família. Partituras, na época, eram o único registro de uma criação musical – “Atraente” acabou popularíssima, com 15 edições somente em 1877.

Chiquinha foi a compositora que mais explorou gêneros musicais: compôs valsa, tango, choro, marcha, maxixe, polonaise e fado, entre outros estilos.

Esta carioca foi a primeira muitas vezes. Além de maestrina, criou orquestra de violões, instrumento na época considerado menor; compôs operetas, que deram origem ao teatro de revista; apresentou-se em prol da abolição da escravatura; envolveu-se com direitos autorais – é fundadora da Sociedade Brasileira de Autores Teatrais (Sbat), pioneira no país na proteção dos compositores.

Seu maior relacionamento foi bastante controverso. Apenas depois de sua morte veio à tona a verdade sobre a relação com o português João Batista, mais tarde chamado Gonzaga (Chiquinha tinha 52 anos e ele 16 quando se conheceram). Ele chegou a ser adotado por ela como filho. Viveram juntos até a morte de Chiquinha, aos 87 anos.

“A grande antagonista de Chiquinha foi a mentalidade da época”, conclui Edinha Diniz no documentário, lembrando a série de percalços sofridos por ela por ser mulher na sociedade que não aceitava a liberdade feminina.

“Ela tinha a experiência materna e a experiência da escravidão muito próximas, por isso sua negritude precisa ser reivindicada”, acrescenta a socióloga Carolina Alves.

“CHIQUINHA GONZAGA – MÚSICA SUBSTANTIVO FEMININO”

O documentário estreia nesta segunda-feira (5/2), às 23h, no canal Curta!. Também disponível no streaming CurtaOn (acesso no ClaroTV+, Prime Video e site curtaon.com.br)


Fonte:https://www.em.com.br/cultura/2024/02/6797915-documentario-aborda-o-apagamento-da-negritude-de-chiquinha-gonzaga.html

22 de setembro de 2023

“Sou Chorinho”: série inédita do Futura celebra gênero musical 100% brasileiro nascido há 150 anos.

Estreia será no dia 24 de setembro, domingo, às 10h


Pixinguinha, Chiquinha Gonzaga, Ernesto Nazareth, Altamiro Carrilho, entre tantos outros músicos, estão presentes na série “Sou Chorinho”, que estreia no Canal Futura no dia 24 de setembro, domingo, às 10h. Cinco episódios de 30 minutos cada serão exibidos a cada semana e vão contar a origem, os instrumentos, a expansão pelo Brasil e a renovação de público desse estilo nascido no final do século XIX, no Rio de Janeiro. A série também é acompanhada de 15 interprogramas sobre o tema, que vão ao ar espalhados pela grade, sendo três a cada episódio.



Origem do Choro – 24/9
O primeiro episódio mostra a origem do choro, no Rio de Janeiro. Músicos e especialistas falam sobre nomes de expressão no choro como Chiquinha Gonzaga e Pixinguinha, além do repertório e instrumentos utilizados pelos chorões.

INTERPROGRAMA 1 – CHORO MISCIGENADO
O pesquisador Sérgio Prata fala da mistura de raças que vai dar origem ao choro, nos salões imperiais e que se funde com o som que vem das senzalas, sendo um extrato da alma brasileira.

INTERPROGRAMA 2 – INSTITUTO JACOB DO BANDOLIM
O músico Bruno Rian, bandolinista, fala do surgimento e da importância do Instituto Jacob do Bandolim, como forma de organização e preservação da obra deixada por um dos maiores mestres do gênero.

INTERPROGRAMA 3 – PANDEIRO
No episódio o músico José Amaral explica a origem do instrumento que é uma espécie de bateria portátil no choro e permite, junto com o cavaquinho, a condução rítmica.

Musicalidade – partes 1 e 2 – 1 e 8/10
Dividido em dois episódios, o tema Musicalidade se destaca ao apresentar os instrumentos musicais, nuances, grupos de choro, características específicas do gênero, choro cantado, além de explicações dos especialistas sobre a sonoridade do ritmo.

Expansão do choro – 15/10
Vamos mostrar a proporção em que o choro atingiu, saindo do Rio de Janeiro e ganhando o Brasil e o mundo, por meio do rádio, TV, universidades, conservatórios, escolas de música, clubes de choro, teatros, parques nas cidades e em lugares inusitados.

Juventude no Choro – 22/10
O último episódio mostra jovens que estudam e desenvolvem o choro na sua vida musical, a inclusão das mulheres no choro e influências que inspiram a juventude a continuar tocando choro, além de perspectivas sobre o futuro do ritmo.

Não percam e divulguem para os amigos amantes do Choro. Para mais detalhes sobre os horários e como assistir , acesse: https://futura.frm.org.br/programacao


Fonte: https://futura.frm.org.br/conteudo

13 de fevereiro de 2023

O Carnaval é diverso! Rede Minas mostra as origens e curiosidades do Carnaval, com abordagens de nomes importantes da cultura mineira.


O Carnaval, uma das festas mais populares do Brasil está chegando. Mas ela não surgiu desse jeito que conhecemos hoje. Uns dizem que foi há 10 mil anos, nos rituais por boas lavouras, outros que foi no Egito, em Roma, na Grécia...  O programa Diverso, produzido pela Rede Minas, desvendou a história do Carnaval: como surgiram os primeiros blocos, corsos, os personagens, como a composição "Abre Alas" de Chiquinha Gonzaga se tornou um marco histórico, entre outras curiosidades abordadas por nomes importantes da cultura e meio acadêmico do nosso Estado como o folclorista Carlos Felipe, a antropóloga Léa Freitas Perez, o professor Carlos Ernest e o compositor Gervásio Horta.

Comece a semana pré Carnaval com essa edição imperdível do programa Diverso que mostra como a festa que chegou ao Brasil com o nome de "Entrudo" se tornou uma das nossas manifestações culturais mais legítimas. Clica na TV e assista pela  EMC Play:

26 de agosto de 2022

"O Último Chorão" documentário sobre a vida do maior bandolinista brasileiro vivo, Joel Nascimento será exibido em BH.

O longa metragem do diretor Ricardo do Carmo é um dos destaques da programação do Sons da cidade – Mostra internacional de violão de Belo Horizonte.


Sons da Cidade – Mostra internacional de violão de Belo Horizonte iniciou ontem e está oferecendo uma programação gratuita que abriga recitais, rodas de conversa, lançamentos de livro e de CD, exibição de documentário e momentos de interação com a música. Um dos destaques é a exibição do documentário "O Último Chorão" que fala sobre a vida do bandolinista carioca Joel Nascimento, considerado o maior intérprete do Choro em atividade.  A  sessão seguida de bate papo com o Diretor acontece neste sábado (27), às 10 horas, no Conservatório UFMG.

O roteiro do longa metragem dirigido pelo documentarista, poeta e professor, Ricardo do Carmo traz entrevistas reveladoras de grandes nomes da música popular e clássica brasileira: Hamilton de Holanda, Egberto Gismonti, Guinga, Henrique Cazes, Roberto Gnattali, Maria Teresa Madeira, Edino Krieger, Silvério Pontes e Zé da Velha.


Joel Nascimento, personagem principal
do documentário "O Último Chorão"
SERVIÇO
Sons da Cidade – Mostra internacional de violão de Belo Horizonte - exibição do documentário “O Último Chorão” seguida de bate papo com o diretor Ricardo do Carmo.
Data:27/08/2022 - Sábado
Horário: 10 horas
Local: Conservatório UFMG – Av. Afonso Pena, 1534 – Centro BH/MG
Entrada franca.

15 de julho de 2021

Imperdível: Panorama do Choro Paulistano Contemporâneo em exibição pelo Sesc Digital.

 Ilustração de Sergio Fabris presente no encarte do DVD Panorama do Choro Paulistano Contemporâneo

Em 1953, desgostoso com a falta de prestígio e com o “rareamento de quintais”, Jacob do Bandolim declarou publicamente que o choro estava fadado a desaparecer em, no máximo, dez anos. Morto em 1969, o bandolinista e compositor jamais poderia supor que sua previsão sobre a longevidade de um dos primeiros gêneros musicais urbanos essencialmente brasileiros falharia, e por muito. Alheio a modismos e a imposições mercadológicas - tal qual o samba de Nelson Sargento, que, em movimentos cíclicos da história, pode até agonizar, mas não morre -, o choro resiste e perdura. Por quê? Simples: porque muitos de seus criadores respeitam a tradição, mas jamais se furtam do frescor, da renovação e da reinvenção de seu tempo.

Desde seu surgimento no Rio de Janeiro, o choro nunca se limitou ao território fluminense e se esparramou por todo o Brasil, absorvendo toda a sorte de sotaques. Uma das praças de maior efervescência chorística do país, São Paulo já havia comprovado essa rica produtividade com dois discos do Panorama do Choro Paulistano Contemporâneo, idealizados pelos percussionistas e produtores Roberta Valente e Yves Finzetto e lançados nos anos de 2009 e 2015. Faltava a um projeto dessa envergadura um registro audiovisual à altura de sua importância. Agora, felizmente, não falta mais.

Se no passado, graças aos discos, os ouvintes puderam ter a sorte de conhecer grandes nomes que São Paulo deu à música - como Garoto, Zequinha de Abreu, Bonfiglio de Oliveira, Esmeraldino Salles, Orlando Silveira, Antonio Rago, Poly, Laurindo Almeida, Dilermando Reis, Antonio D’Áurea, Paulo Moura, entre outros -, agora, com este DVD, o mundo ganha um documento histórico daquilo que há de mais relevante no choro paulistano nas primeiras décadas do século 21.

São 15 composições (algumas delas feitas especialmente para o projeto) de autores que nasceram em São Paulo e/ou fixaram morada no Estado mais populoso do país. De Laércio de Freitas a Danilo Brito, de Nailor Proveta a Thiago França, de Izaias Bueno de Almeida a Alessandro Penezzi, passando por Luizinho 7 Cordas, Everson Pessoa, Maurilio de Oliveira, Toninho Ferragutti, Zé Barbeiro, Arnaldinho Silva, Edmilson Capelupi, Milton Mori, João Poleto, Israel Bueno de Almeida e Edson José Alves.

Como se não bastasse a beleza dos temas e dos arranjos, as músicas contam ainda com as participações de alguns dos autores e com as interpretações magistrais do Sexteto Panorama - Roberta Valente e Yves Finzetto (pandeiro e percussão), Alexandre Ribeiro (clarinete e clarone), João Poleto (sax tenor e flauta), Henrique Araújo (cavaquinho e bandolim) e Gian Correa (violão 7 cordas) - um verdadeiro “dream team”, (ops, o nacionalista Jacob que não nos ouça), um time dos sonhos do choro de São Paulo. A música brasileira agradece.

Por: Lucas Nobile, músico e jornalista - Fonte: https://www.sescsp.org.br/online/ 

Clique na imagem abaixo e assista o documentário musical "Panorama do Choro Paulistano Contemporâneo" diretamente na plataforma Sesc Digital

 

23 de abril de 2021

Pixinguinha abre o Dia Nacional do Choro tocando e dançando, em uma sequência de imagens raras.

Alfredo da Rocha Vianna Filho, o Pixinguinha - aniversariante do dia.

Nossa alvorada é com aquele que abençoa todas as notas dedicadas ao mais autêntico dos gêneros musicais brasileiros. Pixinguinha, o aniversariante de hoje, abre este dia Nacional do Choro em estado de graça, registrado em uma sequência de imagens raras, em que toca e dança ao lado de Donga, João da Baiana e outros grandes da música brasileira. É com essa alegria que bradamos: Viva o Choro!!!

"Pixinguinha e a Velha Guarda do Samba" é um documentário filmado em abril de 1954 e lançado em 2007 pelo húngaro naturalizado brasileiro, Thomas Farkas. Desfrutem dessa maravilha. 


Pixinguinha e a velha guarda do samba de Thomas Farkas.