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9 de julho de 2020

O cenário que inspirou Zequinha de Abreu a compor uma valsa memorável.


A cidade paulista Águas de Lindoia, pérola das estâncias, suas águas quentes e terapêuticas, a beleza de seu relevo, seu clima temperado e seco, suas fontes de águas radioativas e puras se transformaram no cenário inspirador de uma belíssima valsa assinada pelo grande compositor paulista, Zequinha de Abreu. Essa paisagem e suas características inspiradoras já eram conhecidas pelos bandeirantes e tropeiros que por estas áreas passavam desde o séc. XVIII. A partir de 1850, quando o café dominava grande parte de nossas exportações, as terras daquela localidade foram retalhadas por fazendas de café. Inúmeras famílias imigrantes europeias, principalmente italianas, vieram trabalhar como colonos nestas áreas de terras férteis e de águas puras e salutares.

Zequinha de Abreu compôs em diversos ritmos, e apesar de ter sido o Choro, o estilo no qual se expressou de forma mais completa, as valsas são profusas em seu repertório e o dispõe entre os melhores autores deste gênero no Brasil. 

Entre 1924 e 1935, trabalhando como pianista e demonstrador na Casa Beethoven, editou 113 músicas para a editora Irmãos Vitale – com quem estabeleceu um contrato para compor ao menos uma por mês, a maioria valsas, embora também houvessem tangos, foxtrotes e outros ritmos. 

Celestino Paraventi, tenor e empresário 
italiano radicado no Brasil.
Entre essas composições figura "Tardes em Lindoia" dedicada à "distinta pianista Senhorinha Diva Vita Pulino". 
A valsa lenta ganhou letra de Pinto Martins e foi gravada pela primeira vez por Celestino Paraventi, em 11 de agosto de 1930 (lançada pela Parlophon em outubro do mesmo ano sob número 13223-A, matriz 3779 e reeditada pela Odeon 11022-A em julho de 1933).
Cantor lírico e benemerente industrial italiano do ramo da torrefação de café radicado no Brasil, Paraventi se apresentava num programa de rádio chamado "Chá no Ar", de Nicolau Tuma, da Rádio Difusora.

Ao longo do tempo,  "Tardes em Lindoia" ganhou outras gravações memoráveis como a realizada em 1962 por Dilermando Reis e Francisco Petrônio no LP "Uma voz e um violão". 

Esta memorável composição nos chega hoje através do jovem instrumentista mineiro Lucas Carvalhais, em recente gravação realizada durante a Pandemia. Ele compartilha conosco este momento e nos brinda com uma bela execução. Apreciem.


Tardes em Lindoia 
( Zequinha de Abreu e Pinto Martins)

Tardes silenciosas em Lindoia 
Quando o sol morre tristonho 
Tardes em que toda a natureza 
Veste-se de um véu de sonho 
Baixo, os arvoredos murmurantes 
Da tênue brisa a um soprar 
Anjinho dos sonhos meus 
Não sabes tu como é sublime contigo sonhar

Longe, lá no horizonte calmo
As nuvens se incendeiam 
Num incêndio de luz 
Vibra e se exalta minh'alma 
Na sensação que a seduz 
Um plangente sino toca 
Chamando à prece a todos
Os que ainda sabem crer 
Então, eu sonho e creio 
Beijar tua linda boca 
Para acalmar o meu sofrer

Prêmio Funarte RespirArte seleciona atrações online em diferentes áreas artísticas.

Dirigido a todos os campos alcançados pela Fundação Nacional de Artes, o Prêmio Funarte RespirArte, tem como objetivo a seleção de atrações online para o público e a promoção da arte, de vertentes culturais de todas as regiões do país. A Fundação concederá 270 prêmios para cada uma das linguagens específicas e 250 para artes integradas e as inscrições seguem abertas.

Por meio do processo seletivo público nacional, a Funarte pretende incentivar 1.600 produções artísticas em vídeo, inéditas, realizadas em plataformas digitais, com prêmios de R$ 2,5 mil para cada contemplado (deduzidos os tributos). As áreas alcançadas são: música, circo, artes visuais, dança, teatro e artes integradas. A Fundação concederá 270 prêmios para cada uma das linguagens específicas e 250 para artes integradas, num investimento de R$ 4 milhões para os projetos e R$ 72 mil para custos administrativos.

Podem se inscrever no edital, gratuitamente, brasileiros natos ou naturalizados, maiores de 18 anos; e pessoas jurídicas de natureza cultural – tais como produtoras, companhias ou grupos. Os participantes devem ter residência ou sede e atuação comprovadas no país. Todas as produções inscritas devem ser registradas em vídeos, formatados segundo critérios estabelecidos no edital e publicados em plataformas digitais de acesso público. O número de prêmios poderá ser ampliado, caso a Funarte venha a dispor de mais recursos. 

As inscrições devem ser realizadas por meio do formulário online e o prazo termina dia 3 de agosto, às 17h59min (horário de Brasília).

Critérios de participação por áreas artísticas

São aceitos no processo seletivo os seguintes tipos de trabalhos:
● Música – Trabalhos em qualquer estilo e gênero musical.
● Artes Visuais – Produções em diferentes práticas contemporâneas, como performance, vídeo de artistas, “videomapping” e arte sonora, entre outras; bem como nas demais práticas convencionais, como pintura, escultura, desenho, gravura, fotografia, entre outras, e suas “interfaces para veiculação em plataformas digitais”.
● Dança – Para trabalhos nos diversos segmentos dessa linguagem.
● Teatro – Criações nas várias modalidades, tais como contação de histórias, teatro de bonecos, de fantoches, de sombras; e no formato de monólogo, leitura dramática, drama e humor, entre outros.
● Circo – Produções nos diferentes tipos de artes circenses.
● Artes Integradas – Criações direcionadas, de forma integrada, para mais de uma das linguagens citadas acima.

O vídeo inscrito deverá ser disponibilizado em arquivo online, por meio de link, com compartilhamento aberto, informado no formulário de inscrição. Neste deve ser anexado o currículo do candidato – no qual se comprove atuação no Brasil, na área artística na qual se inscreveu.

No edital, os interessados encontrarão instruções sobre especificações técnicas do vídeo, inscrições, sugestões de plataformas online ou em nuvem de armazenamento, link de disponibilização e preenchimento de formulário, além de outras informações e regras detalhadas.

Mais informações sobre o edital: confira aqui

8 de julho de 2020

Roda de Choro Expandida reúne instrumentistas de todo mundo em projeto colaborativo para promoção do Choro.


Roda de Choro Expandida é um projeto criado pelo saxofonista francês, Yvan Etienne, radicado no Brasil desde 2012. Apaixonado pela música tradicional brasileira, ele começou a produzir em 2019 a Roda de Choro do Arvoredo que, até o início da quarentena, acontecia toda segunda-feira em Porto Alegre. Com a epidemia de Coronavírus, Etienne procurou uma forma do movimento continuar e assim lançou o Roda de Choro Expandida, projeto que produz a cada semana um vídeo de um Choro novo, de forma colaborativa e onde cada músico grava desde sua casa, para uma pós edição. 

Os registros são permeados de qualidade musical e nos abrem possibilidades de conhecer e ouvir instrumentistas de toda parte, em formações inéditas, tocando Chorinho e exaltando grandes compositores para o deleite dos amantes deste gênero tão brasileiro e que ganhou o mundo. O primeiro vídeo foi lançado por Yvan Etienne em 31 de março e o movimento de produção remota já resultou, até agora, em 13 vídeos nos quais participaram 93 músicos de 41 cidades e 9 países. Entre eles, instrumentistas de Minas Gerais como Raissa Anastásia ( Flauta - BH), Thamiris Cunha de Oliveira ( Clarinete – bh), Evandro Archanjo (Flautim – Diamantina), Fábio Pádua ( Clarinete - Ouro Preto) e Noubar Sarkissian Junior ( Cavaquinho – Viçosa). 
Os vídeos produzidos pelo Roda de Choro Expandida estão disponíveis para acesso pelo perfil no Instagram, pelo Canal no Youtube ou pela página do projeto no Apoia-se. Através desta página você pode também contribuir essa iniciativa possa continuar e crescer. Com valores a partir de 5 reais os apoiadores recebem recompensas que vão desde a inclusão do nome nos vídeos, acesso antecipado aos vídeos novos, partituras e bases de playback, direito a sugerir músicas para os próximos vídeos e até participação presencial (ou online ao processo de produção de um vídeo). Mas certamente a recompensa maior será sempre ter a possibilidade de saber que a música ganhou os ares e chegou a tantos que dela necessitam, tocando ou ouvindo, neste momento .

Para iniciar, assista e ouça a última edição do Música Expandida que nos trouxe Um Chorinho em Cochabamba, composição de de Edu Neves e Rogério Caetano.



O Roda de Choro expandida #13 contou com a participação de:
*Edu Neves - Flauta - Rio de Janeiro/RJ *Marcio Fulber - Acordeon - Novo Hamburgo/RS 
*Evandro Archanjo - Flautim - Diamantina/MG *Adriana Losi Monteiro - Flauta baixo - Goiânia/GO *Raissa Anastásia - Flauta em G - Belo Horizonte/MG *Cleomenes Junior - Flauta- Porto Alegre/RS *Fábio Pádua - Flauta - Ouro Preto/MG * Thayan Martins - Pandeiro - Porto Alegre/RS *Cristian Sperandir - Teclado - Osório/RS *Paula Finn - Castanholas - Porto Alegre/RS *Caio Maurente - Contrabaixo acústico - Porto Alegre/RS *Eduardo Rukat - Cavaco - Florianópolis/SC *Bruno Coelho - Congas - Porto Alegre/RS 
Arranjo:Leonardo Gustavo Rossatto - Bento Gonçalves/RS e
Produção e edição: Yvan Etienne Sax.

7 de julho de 2020

"Flor Amorosa" é o tema do segundo episódio do projeto Abre a Roda nas Redes e vem assinado por Alice Valle.

"Flor amorosa" é o título do segundo episódio do projeto Abre a Roda nas Redes. O texto assinado pela flautista Alice Valle nos conta sobre questões curiosas acerca desta composição de Joaquim Callado com letra de Catulo da Paixão Cearense.
Através deste projeto, o coletivo Abre a Roda Mulheres no Choro propõe nos trazer um pouco do universo da música e do Choro através de textos, vídeos e lives. 
Todos os conteúdos são elaborados através de muita pesquisa e da vivência de mulheres musicistas com vontade de trocar experiências e exercer o protagonismo feminino nessa rede virtual. E o resultado tem sido maravilhoso. 
Siga o Abre a Roda Mulheres no Choro no Instagram e conheça mais sobre este e outros projetos do coletivo.



FLOR AMOROSA
Por: Alice Valle

"Muitas vezes, por causa de um detalhe ou acontecimento inesperado, a história que deveria ser escrita é transmitida de outra forma. É engraçado pensar no que poderia ter sido diferente e influenciado gerações de outra maneira. Um exemplo disso, no cenário musical, é a música Flor Amorosa, de Joaquim Callado."

"Flor Amorosa" - Choro de Joaquim Callado e letra de Catulo da Paixão Cearense
Por Abre a Roda Mulheres no Choro com a participação de Paulo Prot na gaita.

A versão dos fatos que nos é contada hoje se apresenta com um ou alguns pontos de vista que prevaleceram sobre o emaranhado de realidades que compõem a história. Muitas vezes, por causa de um detalhe ou acontecimento inesperado, a história que deveria ser escrita é transmitida de outra forma. É engraçado pensar no que poderia ter sido diferente e influenciado gerações de outra maneira. Um exemplo disso, no cenário musical, é a música Flor Amorosa, de Joaquim Callado. Essa polca que é uma das músicas mais conhecidas do choro, hoje é umas das referências do gênero e é tocada até em outros países. 

Em uma breve pesquisa por sua história e de seu compositor, me deparei com informações limitadas, que se mostravam muito rasas e sem comprovação de veracidade. É fato que Callado foi um músico e compositor importantíssimo, porém ainda existem muitas lacunas em seus dados biográficos. Em um artigo, Marcelo Verzoni (2016) aponta que o fato do compositor ter vivido apenas 31 anos influencia, até certo ponto, na precariedade do material disponível. 

Em relação à música Flor Amorosa, sua peça mais popular, observamos várias questões curiosas. Verzoni (2016) explica que ela foi publicada onze dias após sua morte em 1880 e anos depois recebeu letra de Catulo da Paixão Cearense. Ela é referida por alguns autores como polca-canção, porém Callado imaginou-a simplesmente como polca instrumental. O professor Siqueira levanta outras questões sobre ela:  o observador quer saber, por exemplo, em que condições foi publicada essa peça deixada inédita, talvez até com outro título, bem como se houve ou não algum abuso no momento da publicação por interferência de elementos saudosistas ou interessados na repercussão popular do acontecimento. 

Essas cogitações baseiam-se em dois fatos importantes: primeiro, ter sido a obra impressa logo depois da morte do artista; segundo, o encontro de uma polca, no caderno de flauta do ex-professor do Instituto Nacional de Música, Pedro de Assis, com a mesma música e nome diferente, copiada em 1893. Esse conhecido mestre foi também professor de um neto de Callado, de nome João Damasceno. 

[...] A polca A Flor amorosa, publicada simultaneamente por duas editoras, trazia uma ‘terceira parte’ com um trecho completo retirado da Marcha Fúnebre, de Chopin. A incerteza gera nova exigência crítica: teria o grande flautista sido inspirado por uma força superior em forma de premonição? [...] A crítica desconhece a responsabilidade do autor da música pois estava sepultado quando a edição foi lançada no mercado. 

É preciso reconhecer ainda que, naquele tempo, era muito comum uma polca somente com duas partes: a terceira era improvisada no momento, quando não, deixada para uma exibição da harmonia expressiva dos tocadores de violões. [...] Já na segunda metade do século passado os autores nacionais começaram a escrever polcas com duas seções melódicas e uma de interesse modulatório, não apenas no tom vizinho senão também com aglutinação de passagens cromáticas, evanescentes das resoluções excepcionais. [...] (Siqueira, 1969, p. 124-125) 

A partir desse trecho, Verzoni (2016) entende que a problematização acerca da terceira parte da música é relevante. Seguindo a ideia de que todas as outras polcas de Callado tinham três partes, sugere a possibilidade do compositor ao falecer, ter deixado a peça incompleta, se considerarmos que a terceira parte tenha realmente sido acrescentada por outra pessoa. 

A partir disso, reflito sobre a importância dos historiadores nessa eterna busca por outras "verdades" e pontos de vista na história para vários fins. Desde fazer valer e dar voz às realidades daqueles excluídos das páginas dos livros até seguir escrevendo nossa história com mais consciência. Se nós cavarmos, encontramos inúmeros exemplos de mulheres e homens que foram vidas subversivas em atos, palavras e música. Eles não serão esquecidos.


Numa parceria com o site do Clube do Choro de BH os próximos conteúdos do Abre a Roda nas Redes também serão disponibilizados por aqui. Fiquem atentos e acompanhem.

Leia Também: Abre a Roda Mulheres no Choro lança novo projeto cultural e o primeiro episódio nos chega "Falando de Maxixe".

6 de julho de 2020

O trombonista Felipe Giffoni traz as raízes da música popular brasileira para mais uma edição do "Brasil Encanto".

Felipe Giffoni , instrumentista com forte influência das raízes da música popular brasileira.
A mais recente edição do Programa Brasil Encanto trouxe em sua pauta, uma celebração do dia do Trombonista no Brasil, comemorado em 1º de julho. O programa produzido pela TVDD recebeu Felipe Giffoni, instrumentista cearense com forte influência das raízes da música popular brasileira. Ele se apresenta como o Trio Base composto por Luiz José (cavaquinho de 6 cordas), Lucas Everdosa (violão de 7 cordas) e Igor Ribeiro (percussão).

Giffoni está concluindo sua licenciatura em música pela UFC (Universidade Federal do Ceará), mas a sua bagagem musical é das mais ricas. No princípio, ele se dedicava à tuba e à percussão, mas o trombone tocou mais forte em seu coração, e ele se entregou a esse instrumento com todo seu talento. Atualmente faz parte da Orquestra Sinfônica da UFC e é regente do grupo The Big Band, também da UFC. Além disso, trabalha com produção de shows e marca presença no trabalho em bandas autorais e faz parte de diversos grupos de Choro. 
Hoje vamos conhecer mais sobre este jovem talento e como ele nos encanta musicalmente. 


O programa semanal "Brasil Encanto" é transmitido pelo Canal TVDD no Youtube às sextas feiras, às 20 horas e tem como finalidade, prestigiar, reconhecer, apoiar, divulgar nossa música popular, dentro dentro da mais alta qualidade. 
O projeto pertence ao Núcleo de Música Popular Brasileira da Casa de Vovó Dedé - instituição filantrópica que como escola de música erudita, utiliza a musicalização como vetor de transformação social. 

3 de julho de 2020

"Notas de Memória" traz trechos marcantes de shows e concertos realizados no palco do Conservatório UFMG.

O projeto "Notas de Memória" traz uma breve retrospectiva da programação realizada no segundo semestre de 2018 e primeiro semestre de 2019, destacando a qualidade e diversidade das atrações que passaram pelo palco do Conservatório UFMG. Trechos marcantes de shows e concertos que fizeram parte das temporadas das séries Perspectivas, Circuito Contemporâneo, Conexões Musicais, Quarta Cultural, Palco Livre, entre outras, estão em vídeos disponibilizados pela instituição, sempre as quartas e sextas-feiras. 

Entre os registros já disponíveis você poderá rever Túlio Araújo e o projeto Dobradura, Coral Ars Nova, Trio Kanji, Grupo de Violoncelos da UFMG, Tresillo Trio, BIOS– Bombeiro Instrumental Orquestra Show, HugoPilger e o Grupo de Violoncelos da UFMG, Grupo de samba "Praça XI” entre outros tantos que nos trouxeram diferentes estilos da música erudita e popular de todos os tempos e que passaram pelo palco do Conservatório UFMG.

Não perca esta oportunidade de apreciar e rever todas as atrações do Projeto "Notas de Memória". Para isto, acesse e se inscreva no Canal do Youtube do Conservatório UFMG.

E para iniciar aprecie um trecho do show do Tresillo Trio formado por Anderson Reis (violão), Camilo Christófaro (contrabaixo) e Thiago Rocha (violino.) A formação instrumental dá clareza a pequenas nuances e gestos musicais. A música executada é "Choro pro Zé", uma homenagem aos 70 anos do compositor Guinga, que assina a composição.



2 de julho de 2020

O multi instrumentista e pesquisador Almir Côrtes é o convidado de hoje do "Assanhado Quarteto Convida".

Logo mais, a partir das 17 horas o projeto "Assanhado Quarteto Convida" recebe o músico e pesquisador Almir Côrtes. Dono de um currículo admirável, com atuação como multi instrumentista, compositor e arranjador de primeira ele vai compartilhar suas experiências nesta live que será transmitida via Instagram

A conversa será de grande interesse para os instrumentistas que se dedicam ao Choro, especialmente bandolinistas, uma vez que a dissertação de mestrado do Almir é uma pesquisa sobre o estilo interpretativo de Jacob do Bandolim. Já o tema de sua tese de doutorado trata sobre as técnicas de improvisação em música brasileira. 

Além disso, o bate papo será de interesse a todos os admiradores da música: Almir tem seis discos lançados e coordena a websérie "Villa de Sons", sobre a produção musical do Instituto Villa-Lobos, da UNIRIO, onde é professor de Arranjo, Análise da Música Popular e Prática em conjunto. Ele já tocou e gravou com muita gente fera como ele, e claro que vai falar disso também.
Agende e prepare suas perguntas para participar desse bate papo que promete ser dos melhores.

Festival Violões em Rede abre bilheteria virtual.


O Violões em Rede, festival de violão online, que será realizado entre 06 e 09 de julho de 2020 já está com a bilheteria virtual aberta. 
A programação receberá os instrumentistas os Alessandro Dos Santos Penezzi, André Siqueira, Camilo Carrara, Daniel Murray, Elodie Bouny, Swami Antunes Jr. Campos, Tabajara Belo e Carlos Walter, violonista e compositor, associado ao Clube do Choro de BH.
A venda de ingressos e acesso às lives serão através do site do Festival. Acesse.

1 de julho de 2020

Coral de Trombones e Tubas da UFMG celebra de forma especial o Dia Nacional do Trombonista.

Coral de Trombones e Tubas da UFMG - Foto: Divulgação

No dia 1º de julho de 2003 falecia em BH, Paulo Lacerda, primeiro professor de Trombone da Escola de Música da UFMG e ex presidente da ABT - Associação Brasileira de Trombonistas. Carioca de nascimento, mas mineiro de coração, professor Paulão, como era chamado, deixou órfãos vários trombonistas pelo Brasil, que além de alunos, sempre o consideraram um "paizão". 

Professor Paulo Lacerda - Foto: Eber Faioli
Sete anos depois, no mesmo 1º de julho, um outro forte baque atingiu todo o naipe de trombones no Brasil. Um grave acidente no interior da Paraíba ceifou a vida de três notáveis trombonistas brasileiros: Roberto Ângelo, Adenilton França e também o grande didata e performer Radegundes Feitosa Nunes, o primeiro Doutor em Trombone do Brasil.

Diante dessas tragédias coincidentes em mesma data e para que esta não ficasse marcada por tristezas mas, ao contrário, para celebrarmos todo o legado destes e de outros trombonistas exemplares, em 2011 a ABT decidiu, por unanimidade, instituir o dia 1º de julho como o Dia do Trombonista no Brasil.

Celebrando esta data, o Coral de Trombones e Tubas da UFMG produziu um vídeo comemorativo, uma edição especial com participação de 40 músicos tocando simultaneamente, cada um em sua casa, "Se todos fossem iguais a você", composição assinada por Tom Jobim e Vinícius de Moraes.
Este é um convite para que todos se unam a esta comemoração, desfrutando desta belíssima apresentação.



Marcos Flávio Aguiar - Presidente. da ABT
 é também associado ao Clube do Choro de BH
Em referência a esta data, o Dr. Marcos Flávio Aguiar Freitas, Presidente da Associação Brasileira de Trombonistas, Prof. de Trombone da EM/UFMG, Coord. do Coral de Trombones e Tubas da UFMG, acrescenta: "neste momento, onde obrigatoriamente estamos em isolamento social, fazer este tipo de ação é a forma como nós, músicos, estamos encontrando para continuar a professar nossa arte. Além de comemorar o nosso dia, celebramos também os 30 anos de fundação do Curso de Trombone da Escola de Música da UFMG completados em 2020.
Estas datas teriam neste ano uma grande comemoração, já que para o próximo mês de agosto estava programada a realização do Encontro da ABT, cuja edição ocorreria em Belo Horizonte. 
Em decorrência da Pandemia da COVID 19, o evento foi adiado para nova data ainda a ser definida. Mas com este vídeo desejamos também amenizar, com a nossa música, os efeitos do isolamento social e dar um grande viva saudando a música, os 30 anos do Curso de Trombone na UFMG e todos os trombonistas do Brasil!"

A produção deste post contou com a colaboração de Marcos Flávio Aguiar  a quem o Clube do Choro de BH agradece.

30 de junho de 2020

Marcelo Jiran traz uma super dica para auxiliar na construção de arranjos e orquestrações.


Marcelo Jiran compositor, pianista, multi-instrumentista, orquestrador, arranjador, engenheiro de áudio e produtor musical e fonográfico é quem hoje nos traz uma super dica para auxiliar na construção de arranjos e orquestrações. Ele explica como faz um esboço e compartilha detalhes do processo que auxilia anotar as ideias melódicas de forma fácil. 
Se você se interessa pelo tema, aproveite mais este toque precioso do Jiran.



29 de junho de 2020

Hamilton de Holanda in Concert nesta terça.


O grande bandolinista Hamilton de Holanda fará um concerto solo, que acontecerá nesta terça feira, 30 de junho às 20 horas - horário de Brasília, com transmissão ao vivo pela plataforma Zoom. O show é especialmente para o público de Hamilton, em Woods Hole, mas todos são bem-vindos.

A atuação de Hamilton é tão emocionante e profunda ao mesmo tempo, que ele foi chamado Jimi Hendrix do bandolim. Outros o igualam a "The Bird", Charlie Parker, por sua capacidade de dominar o tom, o ritmo e o timbre para expressar idéias e criar emoções. A ambição pessoal de Hamilton é ser um grande compositor. Mas Wynton Marsalis resumiu assim: "Hamilton é a personificação de tudo que queremos em um músico".

Maiores informações e valores do link de acesso você confere aqui

Vem aí o Festival Violões em Rede.

O Violões em Rede, festival de violão online, será realizado entre 06 e 09 de julho de 2020. O evento abrigará concertos e bate-papos remotos com importantes violonistas. A bilheteria virtual abre nesta segunda-feira à tarde pela plataforma Sempre Ao Vivo e pelo site Violão Brasileiro.
Serão 8 instrumentistas que participam desta edição: Alessandro Dos Santos Penezzi, André Siqueira, Camilo Carrara, Daniel Murray, Elodie Bouny, Swami Antunes Jr. Campos, Tabajara Belo e Carlos Walter, violonista e compositor mineiro, associado ao Clube do Choro de BH.  E é ele quem nos traz o convite do evento.


O festival é realizado pelo projeto Cordas Brasileiras, Produções do Tempo, Acervo Digital do Violão Brasileiro, a plataforma #SempreaoVivo entre outros apoiadores e patrocinadores entre outros apoiadores e patrocinadores.

28 de junho de 2020

ÀS VEZES A VIDA É MESMO DESVAIRADA...

Aníbal Augusto Sardinha, o Garoto era multi-instrumentista.

Desvairada é um termo definido nos dicionários como "sem coerência ou equilíbrio, desprovida de juízo, sem orientação, fora de si, desnorteada, exaltada, louca, alucinada". Então o que pensar quando o termo chega nominando uma Valsa-Choro, daquelas das melhores e assinada por um mestre?
A obra musical em questão foi composta por Aníbal Augusto Sardinha, o Garoto um dos mais brilhantes e talentos violonista de todos os tempos, nascido em São Paulo, em 28 de junho de 1915. O aniversariante desta data, esse virtuoso multi instrumentista, completaria hoje 105 anos. 

Ele começou a carreira bastante cedo, com apenas 11 anos de idade, o que lhe rendeu o apelido de "O Moleque do Banjo" e posteriormente, Garoto. Com sua maneira de interpretar o Choro e o Samba ao violão e de compor, foi o homem que deu novo rumo à Música Popular Brasileira.  Ele é considerado por muitos um precursor, um verdadeiro mestre, o reformulador da linguagem harmônica do violão. Influenciando alguns dos maiores nomes da nova geração, indicou o caminho que levou a alguns anos depois à chamada Bossa Nova. 

Aníbal Sardinha nos deixou muito cedo, aos 39 anos e vitimado por um ataque cardíaco. Pouco tempo para tanto talento e inspiração. Então a gente retoma aquela questão, e chega até a pensar: às vezes, essa vida é mesmo desvairada... O tempo foi pouco na pauta da existência física, mas Garoto ressoa na eternidade da música brasileira. 

Segundo registros, "Desvairada" teve sua primeira Gravação pela Odeon em 27 de março de 1950 e lançada em junho seguinte (disco 13016-B, matriz 8665). E esta valsa-choro tão apreciada, uma composição em "redemoinho", é o que trazemos para celebrar o dia com Garoto.

Os violonistas mineiros André Oliveira e Augusto Cordeiro participam desta homenagem abrindo suas janelas musicais em mais uma edição do projeto "Entre Janelas", lançado durante a Pandemia da Covid-19.  Desfrutem de "Desvairada", numa bela interpretação em 14 cordas.


A produção e edição do Projeto "Entre Janelas" é de André Oliveira e as várias edições já lançadas estão disponíveis em seu canal no Youtube.

26 de junho de 2020

O dia em que o Choro de Minas encantou o Sr. Brasil.

Grupo Choro de Minas no Palco do Sr. Brasil- Foto: Divulgação
Boas lembranças são sempre bem vindas. Ainda mais quando os tempos são difíceis e a alma carece de conforto. Hoje, fazemos um TBT, a sigla em inglês para “throwback Thursday”, algo que em tradução para o português soa como “quinta-feira do retorno”. TBT pode ser "trem bom também" na sexta quando relembra algo que acalenta e traz alegrias. Como esta participação especialíssima do Grupo "Choro de Minas" no programa Sr. Brasil, apresentado por Rolando Boldrim e exibido pela TV Cultura. Um momento dos mais agradáveis para começar o fim de semana.
Apreciem o Choro de Minas encantando o Sr. Brasil.






O Grupo Choro de Minas que já ultrapassa os 12 anos de estrada é formado por quatro dos maiores "Chorões" de Minas Gerais. 
Marcos Flávio (Trombone) é Doutor, Mestre e Bacharel em trombone pela UFMG. Professor na mesma instituição, exerce intensa atividade didática como professor de trombone e coordenador do Coral de Trombones e Tubas da UFMG e também associado do Clube do Choro de BH.
Dudu Braga é cavaquinista e produtor musical. Presidente do Clube do Choro de Betim já se apresentou no Montreaux Jazz Festival, Madrid Fusion, além de acompanhar artistas como Zé da Velha e Silvério Pontes, Wilson das Neves, Monarco, Nelson Sargento, dentre outros. 
Sílvio Carlos (violão 7 cordas) é um dos fundadores do Clube do Choro de BH e também do reconhecido grupo Flor de Abacate. Desenvolve trabalho voltado para a pesquisa do choro e tem 3 Cds gravados. 
Ramon Braga (pandeiro) é um estudioso do emprego da percussão no Choro. Já acompanhou artistas como Vander Lee, Radegundis Feitosa, César Menotti e Fabiano, Marku Ribas, Célio Balona, dentre outros. Além do seus integrantes, o Choro de Minas se apresentará com Juninho Braga como convidado especial.

25 de junho de 2020

LAB CULTURAL, programa de valorização e incentivo de pesquisas artísticas do BDMG Cultural está com inscrições abertas.


Estão abertas as inscrições para o Edital de Música e Experimentação Sonora do LAB CULTURAL, programa de valorização e incentivo de pesquisas artísticas em Minas Gerais do BDMG Cultural. 

O objetivo do edital é selecionar dez projetos artísticos, na área de Música e Experimentação Sonora a serem desenvolvidos em quatro meses de pesquisa, (sendo três meses de pesquisa com tutoria e um mês de sistematização do processo), mediante o recebimento de bolsa e sob tutoria.

Podem se inscrever na chamada pessoas físicas da área de música com idade igual ou superior a 18 anos, comprovadamente residentes em Minas Gerais há no mínimo dois anos, e que tenham comprovadamente no mínimo dois anos de atuação e desenvolvimento de trabalhos na área, com comprovação mediante apresentação de portfólio. 

Os interessados podem se inscrever até o dia 7 de julho de 2020, por meio de formulário online.

Cada selecionado receberá uma bolsa de R$6 mil, dividida em 4 parcelas mensais de R$1.500. Para mais informações, acesse o edital completo no site do BDMG Cultural


24 de junho de 2020

UM CHORO DO VADICO.

Vadico, um dos mais constantes parceiros de Noel Rosa
Embora não tão reverenciado, o compositor, maestro e pianista Osvaldo de Almeida Gogliano, o Vadico, foi um dos parceiros mais constantes do sambista carioca Noel Rosa. Filho de um casal de imigrantes italianos, ele nasceu em 24 de junho de 1910, no bairro do Brás e estaria completando hoje 110 anos.

Vadico pertenceu a uma família onde todos os irmãos eram músicos e como os demais, dedicou-se à música desde muito cedo. Aos 18 anos tocava piano profissionalmente, época em que venceu um concurso com a marcha "Isso Mesmo É que Eu Quero".

Pela música, ele abandonou o ofício de datilógrafo, para apresentar-se pela primeira vez em público em um hotel em Poços de Caldas, MG. Enquanto compunha, aperfeiçoava seus estudos de piano. 

Em 1930, Vadico transferiu-se para o Rio de Janeiro. Na capital carioca conheceu Noel Rosa nos estúdios da gravadora Odeon, que de imediato pôs letra em "Feitio de Oração", seguida de parcerias notáveis como "Feitiço da Vila", "Pra que Mentir", "Conversa de Botequim", "Cem Mil Réis", "Provei", "Tarzã, o Filho do Alfaiate", "Mais um Samba Popular", "Quantos Beijos" e "Só Pode Ser Você". Com Marino Pinto, Vadico compôs sucessos como "Prece" e "Súplica". Também fez parceria com Vinicius de Moraes em "Sempre a Esperar".

Nove anos depois de se mudar para o Rio, partiu para os Estados Unidos, para apresentar-se com a orquestra de Romeu Silva na Exposição Internacional de Mundial de Nova Iorque. No ano seguinte, retornou e radicou-se no Estado norte-americano da Califórnia, onde viveu durante oito anos. Lá, gravou músicas do filme "Uma Noite no Rio", com Carmen Miranda, e a partir de então, tornou-se pianista da cantora luso-brasileira e do Bando da Lua.

A pedido da Universal Pictures, compôs "Ioiô" - que acabou virando tema de outro filme.
A convite de Walt Disney, musicou em 1943 o desenho animado "Saludos, Amigos", que apresentava o papagaio Zé Carioca como símbolo do Brasil. Em 1949, rodou a Europa e as Américas dirigindo a orquestra da Companhia de Bailados de Katherine Dunham. 

Vadico voltou ao Brasil em 1956, quando começou a trabalhar como diretor musical da TV Rio. Em 1962, enquanto preparava-se para um ensaio com uma orquestra no Estúdio da Columbia, sofreu uma ataque cardíaco e faleceu a  caminho do hospital.

Entre as várias composições de Vadico, encontramos o "Choro em Fá Menor", que foi tirado do ineditismo no LP tributo "Evocação III - Vadico", lançado pela gravadora Eldorado em 1979. A interpretação solo ficou a cargo de Amilton Godoy, que por quase 50 anos foi o pianista do Zimbo Trio.

Apreciem este Choro do Vadico, celebrando seus 110 anos.

O TICO-TICO QUE VOOU O MUNDO TODO.

Zequinha de Abreu
"Tico-Tico no fubá" é um Choro composto por Zequinha de Abreu que ficou imortalizado na voz de Carmen Miranda, e com o tempo, tornou-se uma das canções brasileiras mais conhecidas do mundo. Foi apresentada pela primeira vez em um baile da cidade de Santa Rita do Passa Quatro, em 1917, sob o nome de Tico-Tico no Farelo. A canção recebeu o nome atual em 1931, já que existia outra de mesmo título, composta por Canhoto. No mesmo ano foi incluída pela primeira vez em disco, gravado pela Orquestra Colbaz. Embora seja essencialmente instrumental, tem letra de Eurico Barreiros e Aloísio de Oliveira, além de uma versão em inglês de Ervin Drake.

A composição atingiu o ápice de sua popularidade nos anos 1940, quando fez parte de nada menos do que seis filmes em Hollywood, inclusive filmes estrelados por Esther Williams. A canção aparace com duas letras, uma feita no Brasil, e outra versão escrita nos Estados Unidos por Aloísio de Oliveira para Carmen Miranda que a gravou pela Decca Records em 1945, e a apresentou no filme Copacabana de 1947, no qual contracena com o Groucho Marx.



Também no cinema, parte da história sobre a canção foi contada no filme Tico-tico no Fubá de 1952, dirigido por Adolfo Celi. E seguindo seu alcance internacional, a seleção brasileira de nado sincronizado utilizou com sucesso a canção como tema no XV Mundial de Esportes Aquáticos, realizado na cidade de Barcelona, em 2013, além de ter sido executada na cerimônia de encerramento dos Jogos Olímpicos Rio 2016, por Roberta Sá interpretando Carmen Miranda.

"Tico-Tico no fubá"  é considerada por muitos como a obra maior de Zequinha de Abreu, não apenas pelas qualidades musicais, mas pelo alcance de sua audição. Foi gravada pela organista Ethel Smith em 1941, que fez grande sucesso internacional, e por Ray Conniff. Em 1942, além de regravada pela Rainha do Chorinho Ademilde Fonseca, pela Orquestra Tabajara, Benedito Lacerda, Waldir Azevedo, Garoto, Pixinguinha, Dominguinhos, Paulo Moura, Arthur Moreira Lima, Yamandu Costa, Raphael Rabello, Armandinho, Ney Matogrosso,  Paulo Moura, João Bosco, Daniela Mercury e muitos outros. Ganhou também gravações internacionais com Michel Legrand, Mantovani, Henry Mancini, Charlie Parker, Paco de Lucia, Jacques Klein, Liberace, Paquito D'Rivera, Ray Ventura e Orquestra Filarmônica de Berlim.

E uma das mais recentes versões nos chega pelo quarteto instrumental Toca de Tatu, em um clip gravado durante esta quarentena do Covid 19.
o grupo formado pelos músicos Abel Borges (percussão), Lucas Ladeia (cavaquinho), Lucas Telles (violão 7 cordas) e Luísa Mitre (piano e acordeão) divulga o Choro, além de explorar outros gêneros da MPB, como o samba, baião, maxixe, valsa e o tango brasileiro. As memórias e a versatilidade da música instrumental são preservadas e contemplam importantes autores, além da produção autoral. O resultado deste trabalho é uma sonoridade original e criativa.

Apreciem "Tico-Tico no fubá" com o grupo Toca de Tatu.

O Choro é vivo e não pode parar. Clube do Choro de Santos convida para uma "Roda de Choro on line - um bate papo musicado ao vivo".


Rodas de Choro são espaços destinados à performance musical onde o Choro, o primeiro gênero musical popular urbano brasileiro, é praticado. Tiveram início no Rio de Janeiro, no final do século XIX, e se expandiram gradativamente. Atualmente, manifestações dessa natureza são realizadas em diversos estados do Brasil e também em outros países. Mas durante o período de isolamento social, decorrente da pandemia da COVID19, estão ganhando novos formatos.

Dando continuidade ao fomento deste gênero musical, o Clube do Choro de Santos nos convida para mais uma "Roda de Choro on line - um bate papo musicado ao vivo". O quinto encontro virtual terá como tema "Memórias do Choro em São Paulo". Neste bate papo o vice-presidente do Clube do Choro de Santos, Luiz Pires receberá o músico e compositor Isaías do Bandolim e o escritor, pesquisador e radialista, José Amaral. 

A live acontece na próxima quinta, 25 de junho, às 20 horas, com transmissão pela página do Facebook do Clube do Choro de Santos. Marque na agenda e não perca.

23 de junho de 2020

Du Macedo lança série didática com Podcasts abordando teoria, prática e história da música. O #1 já está disponível.


Com o objetivo de produzir conteúdo complementar aos vídeos e outros materiais didáticos que elabora, o músico e professor Du Macedo deu início a uma série de podcasts temáticos que visam dar suporte às aulas on line que vem oferecendo diretamente do seu home-estúdio. O Podcast #1 já está disponível com acesso gratuito e trata das Escalas Cromática, Pentatônica e Blues.

Os conteúdos seguintes serão lançados a cada quinze dias e abordarão temas como parâmetros dos sons, textura, história do Samba, história do Choro, música modal, música tonal, lições de cavaquinho e violão e outros relacionados à teoria, prática e história da música. 

Numa parceria com o site do Clube do Choro de BH, as próximas edições também serão disponibilizadas por aqui. Fiquem atentos e acompanhem.




Du Macedo é licenciado em Música pela UEMG - Universidade do Estado de Minas Gerais, atua como professor na Escola Livre de Artes Arena da Cultura e em seu home-estúdio, além de  participar de diversos projetos musicais como o "Beco do Choro" e grupos como o "Choro da Mercearia", que promovem rodas semanais, mantendo viva a tradição do Choro em nossa cidade. 

22 de junho de 2020

Abre a Roda Mulheres no Choro lança novo projeto cultural e o primeiro episódio nos chega "Falando de Maxixe".


O Abre a Roda Mulheres no Choro acaba de lançar seu novo projeto: o Abre a Roda nas Redes. Com ele, o coletivo  propõe nos trazer um pouco do universo da música e do Choro através de textos, vídeos e lives.  Serão conteúdos elaborados através de muitas pesquisas e da vivência de mulheres musicistas com vontade de trocar experiências e exercer o protagonismo feminino nessa rede virtual.

No primeiro episódio do Abre a Roda nas Redes, a bailarina, musicista e artista cênica, Bárbara Veronez nos conta sobre o Maxixe, essa dança jubilosa que faz o corpo escorregar e se entregar.
Siga o Abre a Roda Mulheres no Choro no Instagram e conheça mais sobre este e outros projetos do coletivo.

FALANDO DE MAXIXE  
Por: Bárbara Veronez

"Dizem, e acredito, que nada se perde. Tudo se transforma. E a história do Maxixe é um exemplo disso. Ela percorre um arco de acontecimentos que vai dos batuques de Lundu do Brasil Império a Michel Teló e o Vanerão Gaúcho".


Vou contar pouco dessa dança buliçosa, já que o corpo se encarrega e entrega. Você vai sentir movimentos involuntários em seus quadris ao som dos choros maxixados de Chiquinha Gonzaga e através de registros de casais insinuando saracoteios pelos salões e clubes carnavalescos da Belle Époque brasileira.

Para começar, é preciso lembrar de alguns antecedentes, ou melhor, ingredientes do Maxixe. Um deles, o Lundu, era uma dança africana introduzida por mulheres e homens negros de Angola, trazidos ao Brasil como escravos. No século XIX já era uma dança brasileira, ligada mais ao meio rural e com algumas modalidades diferentes, dentre elas, a dança de roda onde todos participavam cantando, dançando e batendo palmas. Era um ritmo jocoso e sensual e com o tempo passou para a forma de música urbana adentrando de forma mais comedida os salões de dança. O lundu-canção era apreciado nos circos, casas de chope e salões do Império. Foi o primeiro gênero musical gravado no Brasil e seu legado principal foi o Maxixe, ritmo sincopado, uma outra forma musical híbrida e urbana que deve também suas origens a Polca e a Habanera.

"O maxixe" - Fotografia de Édouard Stebbing - 1910 
Especula-se que o ritmo do Maxixe também teve influência de uma dança e canto do sul de Moçambique e que de lá derivaria seu nome por existir uma cidade moçambicana chamada, justamente, Maxixe. Até hoje, o padrão rítmico e os movimentos ondulatórios do tronco e quadris da Marrabenta (dança moçambicana) guarda semelhanças com os padrões do Maxixe.

Chiquinha Gonzaga, filha de um militar do Império e uma mulher negra, foi educada para ser uma dama da corte, frequentando e conhecendo de perto a música clássica e as danças europeias de salão. No entanto, frequentava as escondidas os clubes de música do Rio de Janeiro e os terreiros de Lundu. De forma muito original, mesclou ritmos das principais músicas de salão e entretenimento da época como a Polca, Mazurcas, Valsas e Quadrilhas com os sons das ruas do Rio.

Além de ter sido a dança da moda até o início do século XX e ter influenciado o Samba, o Maxixe absorveu as tendências do Tango que despontava na Argentina e Uruguai. Por esse motivo, mas não só por isso, o apelidaram de “tango brasileiro”. Por ser uma dança de caráter sensual, foi alvo de preconceitos por parte da sociedade que a julgava indecente e contrária aos bons costumes. Foi considerada escandalosa e excomungada pela Igreja, perseguida pela polícia e educadores. Então, para que pudessem ser tocadas em casa de família, as partituras de Maxixe eram chamadas pelo nome de "Tango Brasileiro".

O preconceito fez com que a dança fosse excluída do repertório das danças sociais de salão e se popularizasse através dos clubes carnavalescos e do teatro de revista ou teatro musicado, operetas de caráter satírico para as quais Chiquinha, dentre outros músicos, compunham a trilha. Os grupos de choro e bandas de música foram, sem dúvida, grandes criadores e divulgadores do Maxixe.

O Maxixe influenciou os primeiros compositores de Samba que até hoje preserva muitas de suas estruturas rítmicas e está presente também em uma variedade de passos do samba de gafieira, samba de breque e samba-choro. Até o surgimento do Samba, o Maxixe foi o gênero dançante mais importante do Rio de Janeiro.

A Lambada também deve algumas contribuições de estilo ao Maxixe e até hoje no Pará, na Ilha de Marajó se dança uma variação mais comportada do Lundu, o Lundu Marajoara, semelhante em boa medida ao modo de dançar o Carimbó (esse de origem indígena), porém todos os estilos parecem se comunicar! E até o Frevo de Rua pernambucano teve o Maxixe como uma das principais influências!

E onde entra Michel Teló nessa história toda... Em 1995, o próprio, junto ao Grupo Tradição popularizou a Vanera a nível nacional. O Maxixe ressurgiu com força total nas periferias de Porto Alegre e nos bailes tradicionais gaúchos onde predominava o Vanerão. Começaram então a rebolar e adaptar o seu ritmo ao som da sanfona. As pessoas achavam a dança engraçada e a imitavam, surgindo assim o modo gaúcho de dançar o Maxixe.

Vai que essa moda pega mais uma vez. Rodas de choros, domingueiras de Dança de Salão, Bailes de Gafieira. Depois de tanto tempo em isolamento social, dançar junto será um dos melhores temperos para encurtar as distâncias! Amaríamos ver uma cidade inteira a dançar e, sem dúvidas, nos sentiríamos muito honradas em embalar cada passo!

Numa parceria com o site do Clube do Choro de BH os próximos conteúdos do Abre a Roda nas Redes também serão disponibilizados por aqui. Fiquem atentos e acompanhem.