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6 de agosto de 2020

"Papo de Bandas" apresenta o universo das bandas de música em conversas ao vivo. O primeiro convidado é o trombonista Leonardo Brasilino.

"Todo mineiro tem um trem de ferro apitando nas veias, uma montanha brilhando nos olhos e uma banda tocando nos ouvidos."  Jorge Fernando dos Santos

Foto: Omar Freire/Imprensa MG

A banda de música parece ter suas origens na França. E embora haja a confirmação da existência no Brasil de bandas militares na segunda metade do século XVIII, essa formação musical se tornou mais popular a partir de 1808 com a chegada do rei D. João VI que trouxe consigo as bandas da Brigada Real da Marinha Portuguesa que executaram vibrantes dobrados no seu desembarque no Rio de Janeiro. O desfile da Brigada foi o suficiente para deixar a população do Rio de Janeiro completamente encantada, incentivando a realização de vários concertos pelas outras formações existentes na época. 

Em Minas Gerias, as bandas de música são populares e reconhecidas em função de seu valor histórico, artístico, estético, afetivo, simbólico, dentre outros. A Secretaria de Estado de Cultura possui o cadastro de cerca de 600 bandas de música em nosso Estado.

Entre estas está a centenária Banda de Música Benício Moreira, com sede em Santa Luzia,  que inicia nesse sábado (08/08), às 16h, o projeto Lives Benício – Papo de Bandas. 
Trata-se de uma série conversas para interagir e apresentar temas sobre o universo das bandas de música. E o primeiro convidado é Leonardo Brasilino, músico que faz sucesso na cena artística de Minas Gerais. Não perca! A transmissão ao vivo acontecerá na página da banda no Facebook.

Até lá, fique com a Banda Música Benício Moreira nesta produção realizada durante a Pandemia. Os músicos nos apresentam uma emocionante execução da música Heal The World, uma das canções que mais vem inspirando o espírito solidário da humanidade neste momento. A canção composta pelo astro da música pop Michael Jackson (1958-2009) e lançada em 1992, traduz a esperança de que o mundo possa ser curado dos seus males e que possamos fazer “dele um lugar melhor” para “toda a raça humana”. 



Leonardo Brasilino começou a estudar música e trombone aos 11 anos de idade, na Banda de Música Antônio Tibúrcio Henriques (que encerrou suas atividades em 1990) e Na Banda Benício Moreira, desde 1991.  Ele formou-se Bacharel em Trombone pela Escola de Música da UFMG e além de atuar como professor de Trombone no Centro de Formação Artístico / Palácio das Artes, Brasilino também integra o Coral de Trombones da UFMG e a Orquestra Sinfônica de Minas Gerais desde 2002. Participa de inúmeros concertos e montagens de óperas e no campo da música popular, atua em diversos grupos musicais e lançou em 2017 o CD Terra Brasilinis, seu primeiro álbum autoral.  Leonardo Brasilino foi um dos convidados da Semana Nacional do Choro 2017 promovida pelo Clube do Choro de BH quando o trombone foi o instrumento destaque.


5 de agosto de 2020

A mágica da improvisação com Hamilton de Holanda em aulas ao vivo e gratuitas.


O grande compositor e bandolinista Hamilton de Holanda sempre nos surpreende com projetos criativos. Desta vez, ele traz o projeto Aulive e faz um convite: "Bora estudar! " E para isso, está oferecendo aulas ao vivo e gratuitas em seu canal no Youtube
No projeto Aulive que teve início no mês de junho deste ano, ele responde perguntas e tira dúvidas sobre músicas, aborda os princípios da improvisação, demonstra os improvisos melódicos, ensina sobre escalas criativas, entre outros temas. "Se você tem inspiração, tem boas ideias mas não consegue aplicar na prática, essa é uma ótima oportunidade pra eu te mostrar soluções" é o que promete Hamilton.
No próximo episódio que acontece amanhã (06/08), às 16 horas, o tema será Princípios da Improvisação - Melodizando Escalas.  Programe o despertador porque o papo vai ser afinado.

E se perdeu os episódios anteriores se liga aí . Adianta o estudo para a aula de amanhã.


4 de agosto de 2020

Carlos Walter é a presença confirmada desta terça no "Assanhado Quarteto convida", mas já nos traz uma surpresa musical por aqui.

Assanhado Quarteto Convida
Nesta terça (4), o projeto "Assanhado Quarteto Convida" recebe o músico Carlos Walter para um bate papo, ao vivo. Dono de um currículo admirável, com atuação como violonista, compositor e escritor, ele vai compartilhar suas experiências nesta live que será transmitida a partir das 19 horas, via Instagram

Carlos Walter que também é associado ao Clube do Choro de BH tem como uma de suas características,  a capacidade de nos encantar com sua fala que conjuga a erudição acadêmica e o sotaque da cultura popular, sempre nos conduzindo a esferas surpreendentes e maravilhosas do seu grande conhecimento musical. Além disso, é claro, seremos brindados com suas belíssimas composições.
Agende e fique ligado para não perder esse encontro que promete ser dos melhores.

Até lá, trazemos para audição, sua  última produção musical durante esta pandemia: "Chorajazz", tema de Juarez Moreira com letra de Paulinho Pedra Azul, interpretado pelo duo Carlos Walter e Guilherme Lamas, com depoimentos dos compositores e da homenageada Alaíde Costa. Apreciem.


 

3 de agosto de 2020

Eduardo Sebastião das Neves e a serenata para Santos Dumont.

Uma página pitoresca da história da música brasileira do início do Sec XX tem relação com uma Serenata, a mais antiga tradição de cantoria popular das cidades. E uma bem específica ficou marcada pela presença de um grupo expressivo de músicos, que trocaram o amor romântico, pelo ufanismo.

DE SERENATA A SERESTA 
No Brasil, a Serenata, ato de cantar canções de caráter sentimental à noite, pelas ruas, com parada obrigatória diante das casas das namoradas ganhou outro nome: Seresta. Nomenclatura que já aparece descrita em 1505 em Portugal por Gil Vicente na farsa "Quem tem farelos?".  Já no Brasil, o costume das serenatas seria referido pelo viajante francês Le Gentil de la Barbinais, de passagem por Salvador em 1717 ao contar em seu livro Nouveau voyage autour du monde que “à noite só se ouviam os tristes acordes das violas”, tocadas por portugueses (espadas escondidas sob os camisolões) a passear “debaixo dos balcões de suas amadas” cantando, de instrumento em punho, com “voz ridiculamente terna”. Mais compreensivo, outro francês, o estudioso de literatura luso-brasileira Ferdinand Denis, registraria em livro de 1826 que “gente simples, trabalhadores, percorrem as ruas à noite repetindo modinhas comoventes, que não se consegue ouvir sem emoção”. 
Com a transformação dessa modinha, a partir do Romantismo, em canção sentimental típica das cidades em todo o Brasil (alguns poetas românticos foram compositores, outros tiveram seus versos musicados), tal tipo de canto, transformado desde o séc. XVIII quase em canção de câmara, volta a popularizar-se com a voga das serenatas acompanhadas por músicos de Choro, a base de flauta, violão e cavaquinho. 
Influenciadas pelas valsas, as modinhas têm então realçado seu tom de lamento na voz dos boêmios e mestiços capadócios cantadores de serenatas, por isso chamados de serenatistas e serenateiros. Assim, quando no séc. XX a serenata passa por evolução semântica a seresta (para confundir agora sob esse nome, muitas vezes, o ato de cantar com o gênero cantado), os cantores com voz apropriada ao sentimentalismo de serenatas ou serestas transformam-se, finalmente, em seresteiros.

No auge da carreira, Dudu das Neves apresentava-se
nos palcos de smoking azul e chapéu de seda.
UMA SERENATA UFANISTA
Desde a Idade Média os trovadores e menestréis já costumavam entoar as famosas Cantigas ou Cantares, que compõem um vasto repertório lírico e também satírico: as Cantigas nem sempre tinham tom de romantismo, pois havia as Cantigas de Amigo, de Amor, destinadas aos amigos ou à amada, mas também as Cantigas de Escárnio e Cantigas de Mal-dizer, nas quais enviavam-se recados indelicados a desafetos pessoais, inclinando para o tom humorístico.

E talvez, valendo-se desta tradição ou apenas inspirado pelo sentimento ufanista despertado pelos feitos heroicos de Alberto Santos Dumont, o cantor, compositor, letrista e palhaço de circo, Eduardo Sebastião das Neves, também conhecido como Dudu das Neves, Palhaço Negro, Crioulo Dudu ou Nego Dudu tenha lhe dedicado uma Serenata, cujo repertório contou com uma composição criada para enaltecer os feitos do homenageado.

Anúncio publicado à epoca  - 1905 http://memoria.bn.br/
Eduardo das Neves foi uma das figuras mais populares entre artistas do início do século passado e um dos pioneiros a gravar discos no Brasil. Em 1895, iniciou a carreira artística apresentando-se em circos e pavilhões no Rio de Janeiro.  Em 1900, a Livraria Quaresma publicou "O cantor de modinhas", sua primeira coletânea de versos. Em 1902, a mesma editora lançou o "Trovador da malandragem". Na temática de alguns de sua composições, no gênero lundu estão assuntos do cotidiano da cidade como, "O aumento das passagens", "O bombardeio", "O cinco de novembro (ou O marechal)", " A guerra de Canudos", "Uma entrevista com Fregoli", mas, no contexto geral de suas obras, destacam-se a versão que fez para a canção napolitana "Vieni sul mar", que ele próprio gravou pela Casa Edson e que se tornou amplamente conhecida como "Ó Minas Gerais", já que a música homenageava a nau capitânia da Marinha de Guerra do Brasil, batizada com o mesmo  nome do estado. 

Mas nosso destaque vai para a sua primeira composição, a marcha ou cançoneta "A Conquista do Ar - Santos Dumont", onde homenageava o piloto brasileiro que, um ano antes, havia ganho em Paris o Prêmio Deutsh, por contornar a Torre Eiffel em um dirigível, sendo reconhecido internacionalmente como o maior aeronauta do mundo e inventor do dirigível. Os versos de Eduardo das Neves tornaram-se célebres no Brasil inteiro. A canção glorifica o inventor da aviação em versos desbragadamente ufanistas, que o público da época adorou: 
Santos Dumont sobrevoando Paris 

A Europa curvou-se ante o Brasil / E clamou “parabéns” em meio tom./ Brilhou lá no céu mais uma estrela: / Apareceu Santos Dumont.
Salve, Estrela da América do Sul, / Terra, amada do índio audaz, guerreiro! / Santos Dumont, um brasileiro!
A conquista do ar que aspirava / A velha Europa, poderosa e viril, / Quem ganhou foi o Brasil!
Por isso, o Brasil, tão majestoso, / Do século tem a glória principal: / Gerou no seu seio o grande herói / Que hoje tem um renome universal.
Assinalou para sempre o século vinte / O herói que assombrou o mundo inteiro: / Mais alto que as nuvens. / Quase Deus, Santos Dumont – um brasileiro.

Para apresenta-la ao seu inspirador, o compositor organizou uma homenagem a Santos Dumont, realizada em 7 de setembro de 1903, um dos eventos mais importantes dos primórdios da Música Popular Brasileira. Para a ocasião convocou grandes chorões dentre os quais Quincas Laranjeiras, Sátiro Bilhar, Irineu de Almeida, Mário Cavaquinho, Chico Borges, entre outros.

A partir de 1906, igualmente a Bahiano, Mário Pinheiro,
Cadete e Nozinho era cantor contratado da Casa Edison.
Seu extenso repertório versava entre cançonetas, chulas,
canções, lundus e modinhas.
Ainda em 1903, a marcha foi lançada, pelo cantor Bahiano, em discos Zon-O-Phone. Essa canção foi regravada no mesmo ano pela Banda da Casa Edson, sendo depois regravada pelo cantor João Barros na Victor Record, e depois, no selo Brasil, como um dobrado, registrado pela Banda Carioca, provavelmente na mesma época.

Eduardo das Neves foi o segundo cantor (o primeiro foi Bahiano) a gravar composições de José Barbosa da Silva, o Sinhô, quando este iniciava sua carreira. Ele registrou os sambas "Confessa meu bem", "Deixe desses costumes" e "Só por amizade"; este, sua última gravação, realizada em 10 de abril de 1919. 
Na madrugada de 11 de novembro de 1919, uma terça-feira, na casa de seu filho Cândido das Neves (que era tipógrafo e trabalhava na Estrada de Ferro Central do Brasil), cercado deste e de sua esposa, na Rua do Senado nº14, Rio de Janeiro, Eduardo das Neves faleceu. Estava muito pobre.

Ouça agora o som da gravação original realizada por Bahiano em 1903 . 



31 de julho de 2020

Roda do Padreco faz nesta sexta mais um Choro em Casa. Os encontros estão imperdíveis.

Tem muita gente que anda saudosa daquelas rodas de Choro ao vivo e cheias de energia e abraços... Saudade daqueles encontros semanais, como os promovidos pela  Roda do Padreco, no Butiquim Vila Rica e mantendo a história daquele reduto do Choro onde nasceu o Clube do Choro de BH.

Mas como fazer em meio a uma pandemia para continuar nos encontrando e celebrando e ouvindo o melhor do Choro? Como manter as fontes de recursos de produção que sempre foram o cachê dos músicos e as doações espontâneas no "chapéu"?
Para que isto seja possível, a Roda do Padreco continua com tudo. E hoje tem mais uma "Roda do Padreco em Casa", a partir das 19h30,  com live pelo Instagram

Prepara aí seus drinks e tira gosto, ajeita as almofadas e faz a conecção. Os encontros estão imperdíveis, com a turma se superando a cada novo desafio dessa roda virtual. Vamos lá prestigiar e matar a saudade?
Até lá, fique com o grupo reunido tocando "Pelas ruas", uma composição de Fernando Ventureli (no Cavaco Solo) que nasceu inspirada e dedicada à Roda do Padreco.


30 de julho de 2020

Juventino Maciel, o compositor e bandolinista cuja inspiração foi aclamada como "admirável", por Jacob do Bandolim.

Juventino Maciel - 03.05.1926 / 01.10.1993
"Juventino Maciel, bandolinista e torneiro mecânico (N. 3-5-926 – Campos RJ) Inédito. Admirável a inspiração e o talento desse instrumentista. Compõe com extrema facilidade como provarei em futuras gravações.” 

Assim referiu-se Jacob do Bandolim a Juventino Maciel na contra-capa de seu histórico LP Vibrações, onde gravou o choro "Cadência", em 1967, eternizando o nome de Juventino entre os clássicos do gênero. Mas ainda hoje a obra de Juventino continua quase inexplorada. São cerca de 200 composições entre choros, valsas, mazurcas e schottishes que permanecem inéditas.

Juventino Maciel na zona rural do município de Campos dos Goytacazes (RJ), em 3 de maio de 1926. Ainda menino acompanhava o pai, João de Souza Maciel, trabalhador rural, que nos momentos de folga tocava sanfona na região. Na adolescência deixou a baixada campista, mudando-se com a família para o Centro. Aos quinze anos ele já tinha sua carteira profissional registrada, em uma fábrica de tecidos onde trabalhava para ajudar nos sustentos da família. Em 1947, ainda bem jovem, entrou para o grupo regional da primeira emissora de rádio a funcionar no Estado do Rio, a Rádio Cultura de Campos, onde atuou ao cavaquinho até 1954. 

Sua produção como compositor foi esplêndida, numerosa e admirada pelos grandes mestres como Jacob do Bandolim e Pixinguinha, compositores que conheceu e conviveu na capital carioca. Como compositor, Juventino Maciel deixou cerca de 200 choros e valsas, a maior parte ainda inédita. Talvez por isto suscite a empolgação e pesquisas como as realizadas por Ricardo Maciel e o violonista Walter Maciel, filho e irmão de Juventino que têm trabalhado no sentido de divulgar e registrar sua obra, tendo inclusive batizado as músicas que o compositor deixou sem nome. 

"Reminiscências Musicais - Juventino Maciel" Vol. I. com 70 obras do mestre. Edição realizada pelos pesquisadores  Marcílio Lopes, responsável pela transcrição e edição de centenas de documentos e gravações e Felipe Ábido que enriqueceu a obra com um levantamento biográfico detalhado sobre Juventino. Além da colaboração carinhosa do Ricardo Maciel, filho do mestre e também bandolinista, que disponibilizou um vasto acervo de manuscritos e gravações em cassete, que permitiram uma grafia cuidadosa das obras do pai.


Outra iniciativa totalmente dedicada à obra de Juventino revelou-se no disco de estréia do grupo Regional Carioca. Lançado em 2006 pela Acari Records, este trabalho de jovens músicos mostrou ao público quatorze músicas do compositor, entre as quais a consagrada Cadência, o Choro Mexeriqueiro e a Valsa Choppiniana - essa batizada por Jacob do Bandolim.

Um momento também a ser lembrado foi a ação realizada em 2009 pelo bandolinista Marcílio Lopes que dedicou ao repertório de Juventino o show que montou com um grupo de chorões e professores da Escola Portátil de Música para o Projeto Choro na Barca, no Rio de Janeiro. Durante uma hora de viagem até a Ilha de Paquetá, e tendo como convidados o bandolinista Ricardo Maciel, filho de Juventino e o também bandolinista Pedro Amorim, o grupo ofereceu aos passageiros da barca a chance de ouvir várias composições ainda inéditas de Juventino, além de outras, já presentes nas rodas. O clássico Cadência fechou a apresentação.

E é assim que também fecharemos este post. Sejam bem vindos à bordo. Embarquem na emoção desta belíssima interpretação de Cadência pelo duo  formado por Rodrigo Marçal, bandolinista associado ao Clube do Choro de BH e o violonista André Oliveira, em mais um vídeo da Série Entre Janelas.


"Entre Janelas" é um projeto musical criado e produzido por André Oliveira durante a Pandemia do Coronavirus para viabilizar encontros musicais. Os demais vídeos podem ser acessados através de se canal no Youtube.

29 de julho de 2020

MAPFRE abre inscrições para patrocínios incentivados.


Para os músicos e produtores musicais que possuem projetos aprovados pela Lei Rouanet de Incentivo à Cultura esta é uma boa notícia: estão abertas as inscrições para os Patrocínios Incentivados, da MAPFRE. 

Serão apoiados projetos em seis categorias, entre elas a Cultura, onde a música é uma das modalidades. O objetivo é incentivar também projetos que promovam, a educação, a preservação do meio ambiente, a proteção aos direitos humanos, a igualdade de gênero e as diversidades étnica e cultural, o esporte, a saúde e a qualidade de vida em diversas regiões brasileiras. 

Podem participar da chamada Pessoas Jurídicas, cujo objeto social ou finalidade institucional compreendam atividades de natureza cultural ou artística, esportiva ou social, com ou sem fins lucrativos (instituições, sociedades, fundações ou associações). Só serão avaliados projetos já aprovados em alguma das leis de incentivo mencionadas no edital, com realização prevista para até o ano subsequente a inscrição.

As organizações interessadas podem se inscrever até o dia 10 de novembro de 2020, por meio do formulário disponível no site da empresa. Para mais informações, acesse o regulamento completo no site da empresa.

28 de julho de 2020

Túlio Araújo e Choro Amoroso fazem live nesta quinta, diretamente do Café com Letras.


Na próxima quinta (30) o grupo Choro Amoroso promove uma live diretamente do Café com Letras, em Belo Horizonte. O show acontece a partir das 20 horas, com transmissão pelo Youtube.

A regra é não ter regra. Foi com esta ideia na cabeça que o internacionalmente reconhecido percussionista mineiro Túlio Araújo começou a juntar um grupo de Choro peculiarmente diferente. 
Túlio, que não esconde sua base musical vinda do Baião de Luiz Gonzaga e do Rojão de Jackson do Pandeiro, teve seu real contato com o Choro em 2015, quando morando na Califórnia precisou realmente aprender as artimanhas do estilo para pagar suas contas. Desde então, vem percebendo algo comum em todas as rodas: o Pandeiro, mesmo sendo um dos instrumentos imprescindível para que elas aconteçam, é também o instrumento menos explorado. Foi assim que teve a ideia de juntar, num sexteto, cabeças musicais pensantes de diferentes vertentes, unindo-se para criar uma nova roupagem do Choro, absorvendo influências como o Jazz, o Baião, o Soul, o Blues e a música Afro-Brasileira.
Nasce assim o Choro Amoroso! 
Formado por Túlio Araújo no Pandeiro, Pablo Dias no Cavaco, Bruno Teixeira na Flauta, Augusto Cordeiro no Violão, Pedro Gomes no Ukulele Baixo e Pablo Malta no Bandolim, o grupo traz composições próprias de todos os integrantes, além de inteligentes releituras de mestres como Pixinguinha, Jacob do Bandolim, Altamiro Carrilho, Dominguinhos, Eduardo Neves, Rodrigo Lessa, John Coltrane, Villa Lobos, Tom Jobim, Milton Nascimento e Djavan, entre muitos outros.

Cada apresentação é um show diferente. A improvisação e criatividade são as diretivas desse encontro cheio de alegria, amizade e muita musicalidade. E assim será a live da próxima quinta-feira.
Até lá, fique com o percussionista Tulio Araujo e seu grupo Choro Amoroso tocando o clássico "Naquele Tempo", do mestre Pixinguinha. O vídeo foi produzido durante a Pandemia da Covid-19. Apreciem.



27 de julho de 2020

Abel Ferreira: um sopro para a vida toda.

Abel Ferreira era mineiro de Coromandel
Mineiro de Coromandel, Abel Ferreira viajou o mundo levando e levado pela melhor música. Nascido em 15 de fevereiro de 1915, este grande instrumentista tocou a vida toda. Aos cinco anos tocava acordeon, aos sete, flauta de bambu e aos 12 depois de ter-se iniciado por conta própria em teoria musical através de um método da década de 1920 chamado “Artinha”, experimentou pela primeira vez uma clarineta de 13 chaves, sob a orientação de um professor de Coromandel, de nome Hipácio Gomes. E este nome é para ser lembrado, pois Abel Ferreira não teve nenhum outro professor de música, nem antes, nem depois. 

O contato com o saxofone veio aos 15 anos de idade; conta-se que, sabendo da existência de um sax alto numa outra cidade de Minas Gerais, Abel Ferreira viajou horas de trem apenas para conhecer o instrumento, que nunca havia visto. Aprendeu sozinho. Embora intuitivo, Abel tinha ouvido absoluto e aprendeu a escrever música, dominava a teoria musical, fazia arranjos e tocava piano.

Abel, com o clarinete sempre ao seu  lado 
Aos 17, Abel mudou-se para Belo Horizonte e passou a tocar sax alto e tenor, apresentando-se na Rádio Guarani. Em 1935 foi para São Paulo, ingressando na orquestra de Maurício Cascapera. Em seguida regressou a Minas Gerais mudando-se para Uberaba, onde se tornou diretor artístico da emissora de rádio local. Nessa época participou de um show em Poços de Caldas MG, em que acompanhou as irmãs Carmen e Aurora Miranda.
Dois anos após, voltou a morar em Belo Horizonte e tocou com J. França e sua Banda. Com o mesmo grupo apresentou-se em São Paulo, em 1940, e mais tarde com Pinheirinho e seu Regional, na Rádio Tupi paulistana. Pela Columbia de São Paulo e acompanhado pelo regional de Pinheirinho, gravou em 1942 suas primeiras composições: o choro Chorando baixinho, em solo de clarineta, e a valsa Vânia (composta em homenagem à sua filha), em solo de saxofone. 

No ano seguinte foi para o Rio tocar nas rádios e com Ferreira Filho e sua Orquestra, no Cassino da Urca. No ano de 1944 lançou uma nova gravação de suas primeiras composições, dessa vez com Claudionor Cruz e seu Regional. Em 1945 e 1946 tocou, respectivamente, nas orquestras de Vicente Paiva e Benê Nunes, apresentando-se em cassinos e na Rádio Globo. Com esses conjuntos musicais e com o seu grupo, formado em 1947, acompanhou vários cantores importantes da época, como Sílvio Caldas, Francisco Alves, Augusto Calheiros, Orlando Silva, Marlene, Emilinha Borba e outros.

Em 1949 ingressou na Rádio Nacional, onde passou a se apresentar como líder da Turma do Sereno; tocou no mesmo ano com Rui Rei e sua Orquestra, gravando na Todamérica seu Choro Acariciando. Pela mesma gravadora, em 1950 gravou Polquinha Mineira ao saxofone o Choro Doce Melodia, ao clarinete. Ambas de sua autoria. Com Paulo Tapajós, seu companheiro na Rádio Nacional, formou em 1952 a Escola de Ritmos, viajando por dois anos por todo o Brasil.

Abel Ferreira, legítimo herdeiro da categoria
do clarinetista Luís Americano.
Viajou em 1957 com seu conjunto em tournée por Portugal. Fez duetos memoráveis com Zé da Velha e com Pixinguinha, com quem gravou Ingênuo em 1958, ano que também passou a integrar o grupo "Os Brasileiros", do qual participavam Shuca, Trio Yrakitan, Dimas, Pernambuco e o maestro Guio de Morais. Com o grupo excursionou para vários países europeus divulgando a música brasileira e gravou ainda o LP "Os brasileiros na Europa". Viajou pelos EUA e Havaí, com o pianista Benê Nunes, em 1960, e pela Argentina com Waldir Azevedo, em 1961.  

Abel voltou à Europa em 1964-1965, gravando nesse último ano o disco "Abel Ferreira e sua turma". Visitou a URSS e outros países europeus em 1968. Na década de 1970, principalmente a partir do lançamento do LP "Pra seu governo", de Beth Carvalho, na etiqueta Tapecar, tornou-se um dos músicos mais requisitados em gravações e shows, como acompanhante, no sax e na clarineta.

Legítimo herdeiro da categoria do clarinetista Luís Americano, aposentou-se no rádio em 1971. Com a redescoberta do choro e a criação do Clube do Choro, no Rio de Janeiro, em meados de 1975, voltou à atividade, passando a apresentar-se ao lado de Raul de Barros e Copinha, em vários shows de teatro. 
O fato é que Abel trouxe a música dentro de si e dela não mais se separou. Nem de seu instrumento, o clarinete, que carregava para todo lado, lembrando os tempos de moleque em que desmontava peça por peça para tê-lo sempre nos bolsos.
Até seus últimos anos de vida continuou soprando o instrumento, em shows com Copinha e Raul de Barros. Abel faleceu em 13 de abril de 1980.

Na temporada de 1977 do Projeto Pixinguinha, Abel Ferreira e Ademilde Fonseca, ele nos sopros, ela na voz apresentaram clássicos de Pixinguinha, Waldir Azevedo, Ernesto Nazareth e Chiquinha Gonzaga.

Nas contas do próprio Abel, ele compôs mais de cinquenta músicas. Além das anteriormente citadas, também é autor de  Luar de Coromandel, Chorinho do Suvaco de Cobra, Baião no deserto (com Paulo Tapajós e José Menezes de França), Aquela noite, Balança mais não cai, Beijinho na Orelha, Bobo alegre, Haroldo no Choro, Luar de Caxambu, Levanta poeira, O avião, O casamento do Genaro, Sonho negro, Tango da meia-noite, Uma noite em São Borja (com José Menezes), Rio meu ChoroSururu no galinheiro, entre outras.
Entre seus Choros que se incorporaram aos clássicos instrumentais: Chorando baixinho é um exemplo. E para nossa audição, trazemos o vídeo recém produzido pelo instrumentista mineiro, Daniel Toledo, violonista de sete cordas do conjunto Regional da Serra, expoente grupo da cena do Choro belo-horizontino. Apreciem.


***
A composição "Chorando Baixinho" foi objeto da Tese de Wagno Macedo Gomes. Com o título CHORANDO BAIXINHO DE ABEL FERREIRA: aspectos interpretativos do clarinetista compositor e do clarinetista Paulo Sérgio Santos, a dissertação foi apresentada em 2007 ao Programa de Pós Graduação da Escola de Música da Universidade Federal de Minas Gerais, como requisito parcial à obtenção do título de Mestre em Música teve como orientador o Prof. Dr. Fausto Borém.
Para ler a dissertação, siga o link.

25 de julho de 2020

Rádio Inconfidência publica edital Arte Salva - Prêmio da Música Popular Mineira.


A Rádio Inconfidência acabou de publicar o Edital 002/2020 – Arte Salva – Prêmio da Música Popular Mineira, que abriu inscrições no dia 23 de julho.

O Edital, que tem o intuito de valorizar e reconhecer os talentos mineiros e promover a música produzida no estado, é viabilizado pela Lei Estadual de Incentivo à Cultura de Minas Gerais e tem o patrocínio da Cemig. Estão previstos 63 mil reais em prêmios, divididos em 9 categorias e 5 áreas distintas. Cada vencedor levará 7 mil reais e o troféu de premiação.

As áreas abrangem os estilos musicais MPB, Samba, Pagode, Choro, Forró, Pop, Rock, Eletrônico, Blues, Jazz, Reggae, Indie, Funk, Soul, Rap, Instrumental, Regional e Infantil.

As inscrições são gratuitas e podem ser feitas até o dia 16 de agosto, através do e-mail premio@inconfidencia.com.br

É necessário enviar 6 músicas em formato mp3, a ficha de inscrição devidamente preenchida e cópias dos documentos solicitados no Edital. Podem participar do processo seletivo não apenas os mineiros, mas também os residentes no estado há pelo menos 3 meses.

O projeto conta também com um “Programa Especial”, com data ainda a ser definida pela emissora.
Para mais informações, faça o download do Edital no link abaixo.

23 de julho de 2020

Jorge do Fusa: um Choro de muitos nomes.

Garoto-  Foto: Acervo Jorge Mello- Divulgação.
Como celebração da sua genialidade e aniversário de 105 anos de nascimento recém completados, novas e belíssimas interpretações da obra memorável de Garoto estão sendo disponibilizadas por vários instrumentistas. 

Tanto pelo seu admirável desempenho enquanto compositor, como pelo seu talento de executante, Garoto influenciou a quase totalidade dos violonistas que chegaram depois. E além disto, ainda legou para para a música brasileira peças emblemáticas.

Músico por definição e berço,Albanese  é um dos criadores do Jequibau, 
ritmo de cinco tempos.
Entre estas, "Jorge do Fusa" que faz parte de um repertório obrigatório de todos que estudam o violão brasileiro.
Conforme informações citadas na publicação, Choros de Garoto  (editada em 2017 pelo IMS em parceria com o Edições SESC São Paulo com organização de Jorge Mello, Henrique Gomide e Domingos Teixeira), a peça concebida para violão solo foi preservada graças à gravação particular de Ronoel Simões. Sua primeira gravação foi no LP Garoto por Geraldo Ribeiro (Arlequim, 1980).
O que pouca gente sabe é que ela tem letra, escrita quando o compositor ainda era vivo, em parceria com Mário Albanese . O título "Jorge do Fusa" desagradava Garoto e para a versão cantada da música, deram o nome de “Amor Indiferença”. 

Como publicado em artigo assinado pelo próprio Albanese, a criação da letra "aconteceu no dia 22 da agosto de 1950 quando Garoto esteve em casa, na Rua Tupinambás 164, Paraíso/SP, ocasião em que coloquei letra na música Amor Indiferença e a transcrevi para piano na tonalidade de Mi bemol. Garoto adorou! A letra não perdoou nem mesmo a escala hexafônica, a dos tons inteiros! Tenho guardada, como uma verdadeira relíquia, a gravação de Amor Indiferença, em que ao piano fui literalmente amparado pela exuberância criativa do Garoto entrelaçando temas ao violão, com arte e espontaneidade".

Apesar do nome ter sido atribuída à versão com letra, a composição aparece com este nome em gravação instrumental, registrada pelo violonista, compositor e professor brasileiro, Silvio Santisteban em seu LP "O violão de Silvio Santisteban" (Gravadora Independente- Catálogo: 526.404.278).
Interessante também é o fato desta composição ter sido gravada por Baden Powell com outro nome. No LP Baden Powell, lançado em 1971 pela gravadora Barclay (França), esta composição aparece com o nome "Bom de dedo".

A letra  “Amor Indiferença”, assinada por Abanese traz os seguintes versos:

Foi com você que eu aprendi
amar fingindo tanta indiferença
Porque você, querida receia ter na vida
a desilusão que faz sofrer
Mas com você eu descobri
o amor que a gente quer pra vida inteira
Ainda guardo a forte sensação
de tê-la junto ao meu coração
Você e eu, eu e você
jurando amor e proclamando ser feliz
Noites de luar, uma praia junto ao mar
muito amor e muito amar

Você e eu, eu e você
nos despedimos sem porque, mais uma vez
Não existe agora nada entre nós 
que a indiferença de até outra vez
Você e eu, eu e você
jurando amor e proclamando ser feliz
Noites de luar, uma praia junto ao mar
muito amor e muito amar
Você e eu, eu e você
nos despedimos sem porque, mais uma vez
Não existe agora nada entre nós 
que a  indiferença de até outra vez

O tal Jorge
Segundo ainda nos relata o pesquisador Jorge Mello, no livro Choros de Garoto, no texto de apresentação impresso na contracapa do LP de Geraldo Ribeiro, J.L. Ferrete diz "ignoramos quem seja esse Jorge". Mas Mello acrescenta que, de acordo com o que apurou em suas pesquisas, Jorge seria o violonista Jorge Santos (nome artístico de Jorge Geraldo do Espírito Santo), integrante do regional de Waldyr Azevedo e tio do violonista Bola Sete. Fica aí uma referência para nossa curiosidade.

Mas afinal, por que "fusa"? 
Por ser "fusa" uma figura musical, presentes nas escalas de tons inteiros da peça, muitos acreditam que o nome desta deriva exatamente deste fato. Porém, como nos relata Mário Albanese em seu livro "Garoto, o gênio das cordas", O referido Jorge fazia parte da turma do compositor e nos encontros promovidos pelos amigos, sendo muito agitado aprontava uma cerca "fuzarca", nome popular dado à confusão e desordem. Daí derivou o codinome "Fusa".

Entre as várias gravações de "Jorge da Fusa", elegemos como audição deste post, uma recente gravação realizada pelo compositor e violonista associado ao Clube do Choro de BH, Carlos Walter e realizada  num diálogo musical com o violão de 8 cordas do pernambucano Ezequias Lira (RN), Professor de violão e Música de Câmara da UFRN e Doutor em violão pela Universidade de Montreal - Canadá. Apreciem:

Carlos Walter e Ezequiel Lira utilizam captação GT02 da Harmonik e violões feitos pelos luthiers Lineu Bravo e Lúcio Jacob. 

A obra Garoto – O Gênio das Cordas”, lançado em 2014 pela Editora SESI nos permite compreender um pouco mais da criatividade e habilidade técnica de Garoto. O livro acompanha um CD de música, com nove canções e foi idealizado e organizado pelo próprio Mário Albanese (paulistano nascido em 31 de outubro de 1931) maestro, professor de música, advogado, jornalista e membro catedrático da Academia Internacional de Música (AIM), entre outras instituições.

22 de julho de 2020

O Trombonista Conrado Bruno lança seu primeiro CD "À Vontade" e cheio das melhores influências .

O convite para uma belíssima audição nos chega hoje através do trombonista, arranjador e professor Conrado Bruno, chorão atuante nas terras paulistanas. Ele acaba de lançar seu primeiro CD que recebeu o nome de “À Vontade”. A obra foi concebida no início do ano de 2019 com a finalidade de gravar e circular suas composições.

O compositor firmou a trajetória de carreira em 2011, quando se mudou de Bauru, sua cidade natal, para a cidade de Tatuí para estudar no Conservatório Dramático e Musical de Tatuí "Dr. Carlos de Campos", um importante polo de estudo de música do estado de São Paulo, onde se formou-se no curso de Trombone MPB/Jazz no ano de 2016. Com o passar do tempo estudou diversos estilos, tendo sua especialidade o Choro, estilo genuinamente brasileiro. Nesse momento, Conrado inicia seu novo projeto propondo novas músicas com o intuito de incluir em suas composições todas as influências que construiu para ser o músico que é hoje.

No CD “À Vontade”, lançado esta semana, ele conta com grandes parceiros em uma formação que inclui trombone, violão 7 Cordas, cavaco, pandeiro, bandolim e violão tenor e ainda conta com a participação especial de nomes importantes do Choro como  Nailor Azevedo "Proveta" (Clarinete) e Luizinho 7 cordas (Violão).

"À Vontade" já se encontra em todas as plataformas digitais e Conrado passa por aqui para nos deixar seu convite e o link para a audição.  Acessem e apreciem toda a beleza que ele nos traz.


21 de julho de 2020

100 anos da Divina Elizeth Cardoso e seu renascimento digital.

A Divina Elizeth Cardoso
Elizeth Moreira Cardoso nasceu em São Francisco Xavier, em 16 de julho de 1920 e assim nos traz a alegria de celebrarmos o seu centenário, aplaudindo sua carreira inigualável como cantora e intérprete e a referenciando como uma diva, cujo epíteto de “A Divina” lhe eleva à altura de sua importância para a música brasileira. 

Era filha de Dona Moreninha, baiana que gostava de cantar e um enfezado seresteiro, seu Jaime que era também fiscal da Prefeitura. Apesar dos zelos que lhe cercava o pai, Elizeth aos 5 anos de idade e “muito exibida”, já subia ao palco da Sociedade Familiar Dançante Kananga do Japão, localizada na Praça XI, para mostrar suas artes cantando a marcha “Zizinha”. Nos circos improvisados nos quintais da vizinhança e na célebre Casa Tia Ciata, para onde escapulia de vez em quando, Elizeth também cantava. Aos 10 anos teve que largar os estudo se já aos 13 começou a trabalhar em um varejo de cigarros e em atividades como pedicure, cabeleireira, telefonista, peluqueira, sempre para ajudar nas necessidades financeiras de casa. 

Elizeth conheceu Jacob aos 15 anos de idade e
seguiu vida afora numa parceria musical
Em sua própria festa de aniversário, aos 15 anos, ela conheceu Jacob do Bandolim que desejou leva-la para cantar no rádio. Impedida pelo pai, adiou sua estreia que veio acontecer em 1936, no programa “Suburbano”, da Rádio Guanabara, onde ali também estavam se apresentando seus ídolos Noel Rosa, Marília Baptista, Araci de Almeira e Vicente Celestino.
Na sequência, começou a participar esporadicamente em programas na Rádio Transmissora Mayrink Veiga. Em 1939, conseguiu uma vaga em uma companhia teatral e foi excursionar pelo Brasil, quando conheceu o cavaquinista e humorista Ary Valdez (Tatuzinho), com quem veio a se casar e de quem se separou ao retornar ao Rio e já estando grávida. Para sustentar o filho, trabalhou como Taxi Girl, passando logo em seguida a atuar como Crooner nos mesmos dancings cariocas, no Salão Verde em São Paulo e na Orquestra do Maestro Cerejeira. 

Durante sua carreira, Elizeth cantou como
crooner e em várias emissoras de rádio.
Em 1948, durante uma temporada no Dancing Belas Artes, ela conheceu o compositor Evaldo Rui, irmão do radialista e compositor Aroldo Barbosa, que lhe conduziu a uma participação na Rádio Mauá, que culminou em uma contratação pela Rádio Guanabara, onde tinha começado sua carreira aos 16 anos. 

Seu primeiro disco 78''  finalmente foi produzido pela gravadora Star, através de uma contratação intermediada pelo já famoso compositor Ataulfo Alves. Este primeiro disco, onde estava registrada uma composição do próprio Ataulfo, sofreu um problema de prensagem e teve que ser recolhido à fábrica, adiando a oportunidade de ter sua voz divulgada través de um fonograma. 

De retorno aos trabalhos como crooner ela foi descoberta pelo cantor, compositor e divulgador Erasmo Silva que a conduziu para um contrato pela Toda América, gravadora onde também faziam parte do elenco Doris Monteiro e Ademilde Fonseca. Ali, em 1951, Elizeth gravou seu primeiro disco 78”, interpretando no lado A, um samba de Wilson Batista e no lado B, a “Canção de amor”, composta por Chocolate (Dorival Silva) em parceria com Elano de Paula (irmão de Chico Anysio e operador técnico da Rádio Guanabara) e que veio a se tornar um dos seus grandes sucessos e também lhe abriu as portas da Rádio Tupi, então vice líder de audiência nacional. 
A partir daí, sua carreira deslanchou através de participações em diversos filmes de Chanchada e Teatro de Revista produzidos na época, temporadas em shows em boates famosas e importantes contratos em outras rádios e emissoras de TV para apresentações ao vivo, no Rio e São Paulo. 

A partir de 1954, através de contrato pela Continental realizou várias regravações e editou seu primeiro LP que, no entanto, não alcançou grande sucesso à época. Seguindo para a Copacabana Discos se transformou na grande estrela da casa, onde fez uma belíssima carreira, ao lado de Ângela Maria e Inezita Barroso que também permaneceram nesta gravadora por várias décadas. Exatamente neste período, ganhou o epíteto de “A Divina” que lhe foi atribuído pelo produtor Aroldo Costa que, substituindo um colunista da época no “A Última Hora, foi assisti-la em um show e a definiu assim em uma crítica publicada naquele jornal. 

  A elegância sempre foi um dos seus traços
Em 1957 foi lançado seu primeiro disco pela Gavadora Copacabana, intitulado “Fim de Noite” e onde interpreta composições de Noel Rosa e outras de autores também importantes. Neste mesmo ano regravou composições de Fernando Lobo e clássicos da música brasileira, incluindo composição de Custódio Mesquita , um precursor das melodias modernas que a Bossa Nova iria estilizar. Também atuou na Revista “Mister Samba”, de Carlos Machado, quando cantou “É luxo só” composta por Ary Barroso e Luiz Peixoto, especialmente para ela. 

Cedida para o selo “Festa”, dirigido por Irineu Garcia e que se dedicava a gravações de poesia, ele gravou um dos seus discos históricos: “Canção do amor demais”, onde gravou composições de Vinícius de Moraes e Tom Jobim e com participações de João Gilberto ao violão. Em 1958 ela lançou “Retrato da Noite”, disco que regravou grandes canções com sua marca e contou com arranjos do consagrado maestro Radamés Gnatalli (apesar de seu nome não ter sido creditado na ficha técnica por razões contratuais). Em 1959 gravou um novo álbum cujo título “Magnífica” representava um outro epíteto dado a ela pelo importante cronista da época, Mister Eco. 

Na virada dos anos 60, aconteceu o grande momento de decolagem de sua carreira. Nesta época, viajou para Miami representando o Brasil em um festival e fez uma temporada de com grande sucesso. Bastante considerada pelos artistas e jornalistas , musa dos intelectuais da época , foi eleita a “Rainha dos Músicos”. Gravou novos discos, foi contratada pela Rádio Nacional, excursionou por Portugal e Espanha onde cantou ao lado de Ataulfo Alves o samba “Mulata assanhada” que fez grande sucesso também fora do Brasil e tornou-se um dos seus grandes emblemas. “A meiga Elizeth” foi uma série de 5 discos onde ela gravou neste período da carreira, sucessos memoráveis de Luiz Reis e Aroldo Barbosa como “Nossos momentos”, “Notícia de Jornal”, e outras de compositores como Dolores Duran que acabara de falecer tão precocemente e à qual ela faz uma homenagem cantando “A noite do meu bem” e “Pela rua”. 

Ela seguiu com novas gravações, lançando álbuns contendo composições com arranjos do maestro Moacir Santos e que marcou com sua voz e interpretação tão próprias. Gravou novamente composições de Luiz Reis e Aroldo Barbosa, Vinícius de Moraes, Baden Powell e trouxe para as novas tecnologias da época, regravações do início da sua carreira. 

Agora, já como uma grande estrela, viajou em tournée pelo Uruguai acompanhada pelo maestro Moacir Silva e Sambalanço e inicia uma nova fase de sua carreira musical. Em 1964, Elizeth seria a primeira cantora popular a postar-se diante de um naipe de cellos para interpretar a Bachiana nº5 de Villa-Lobos, nos recintos sagrados dos teatros Municipais de São Paulo e Rio de Janeiro. 

Outras gravações deram vez a muitos sucessos como “Manhã de Carnaval” de Antônio Maria e Luiz Bonfá que levou sua voz para todas as partes do mundo; “Nossos momentos”, “Magnífica”, “Naquela mesa”, novas músicas de Vinícius, em parceria com Baden e Moacir Santos, além de composições revelando novos autores como Paulinho da Viola e João Nogueira. 

Com a direção de Hermínio Bello de Carvalho, lançou o clássico álbum “Elizete sobe o morro” e deu início a diversos encontros musicais com novos artistas como Rafael Rabello e nomes consagrados da MPB como Nelson Cavaquinho. Seguiram-se shows Bibi Ferreira e o crescente círculo de amigos do qual faziam parte Antonio Maria, Vinicius de Moraes, Fernando Lobo, Eneida, Ary Barroso entre outros expoentes da MPB. 

Elizeth seguiu com o coração colecionando amores e a carreira conquistando troféus. Tantos que resolveu doá-los ao Museu da Imagem e do Som. Seguiu viajando pelo mundo, foi diversas vezes ao Japão onde gravou discos e era sempre ovacionada . Mas fiel, nunca deixa de ir saracotear no Bola Preta ou de sair de destaque em sua Portela. Ela seguiu, cantando e encantando como “Cantadeira do Amor” como bem lhe intitulou Hermínio Bello de Carvalho que também declarou: “não de lembro de outra cantora brasileira que tenha acumulado tantos adjetivos ao longo de sua vida, quanto Elizeth Cardoso". 

A discografia de Elizeth Cardoso é grande e seguiu até os anos 80. Década em que chegou a embalar seu primeiro neto e a gravar mais dois discos sucessivos. Um em homenagem a Ary Barroso, que em vida a consagrava como a grande voz do Brasil e outro e último com o  violão de Rafael Rabello e a voz densa e especialmente emocionada em “Todo Sentimento” de Chico Buarque. 
Toda esta emoção ela nos causou também quando, logo depois, em 7 de maio de 1990, vítima de um câncer,  ela partiu e o Brasil teve que se despedir da "Enluarada", da "Magnífica", da "Primeira Dama da Música Brasileira" e sua "Divina" Elizeth.

ELIZETH RENASCE EM FORMA DIGITAL

No momento em que celebramos os 100 anos de nascimento de Elizeth Cardoso,  temos como grande comemoração, o lançamento em streaming de uma parte muito considerável de sua obra. Este lançamento assinado pela Universal Music que promete 26 títulos da cantora e mais três playtlists exclusivas. Serão ao todo 17 álbuns de carreira, um coletivo, um EP com quatro faixas raras e sete compilações organizadas cronologicamente. Lembrando que já existiam 14 álbuns de carreira e cinco coletâneas acessadas nas plataformas. 

Desta forma, Elizeth nasceu no meio digital para um público que pode ser o mesmo do LP ou não. Fato é que Elizeth que conseguiu unir a tradição e a modernidade da música brasileira renasce aos 100 anos nas plataformas digitais e segue para sempre diva e divina e dona das maiores referências que a música brasileira já possuiu.


E como não poderíamos deixar de pedir um bis à Divina, rogamos: canta um Choro! Ela canta Pixinguinha e ainda chama Jacob do Bandolim e o Conjunto Época de Ouro . Apreciem.


"Carinhoso", choro-canção de autoria de Pixinguinha e João de Barro, surge aqui na magistral interpretação da Divina Elizeth Cardoso, acompanhada por Jacob do Bandolim e seu Conjunto Época de Ouro (Dino, Carlinhos, Jonas e Gilberto) e a participação especial de Rubinho Barsotti do Zimbo Trio na bateria. Consta que Elizeth Cardoso, um tanto enfastiada de cantar essa música, de tanto que a solicitavam em shows, tentou declinar dizendo que não sabia o tom. No entanto, Jacob deu o tom e Elizeth não viu outra saída que não fosse interpretar mais uma vez — e lindamente — esse clássico da música brasileira.
Gravação realizada na noite de 19.02.1968 em show que resultaria na série de LPs "Elizeth Cardoso ao Vivo no Teatro João Caetano", lançado pelo Museu da Imagem e do Som. Cesar Faria, violonista do Época de Ouro, não pôde participar desse show porque estava com hepatite.

20 de julho de 2020

Com informações valiosas sobre o universo da música, Du Macedo dá sequência à série de Podcast. A segunda edição trata do Modalismo.


O músico e professor Du Macedo vem produzindo uma série de podcast com conteúdos didáticos, contemplando temas do universo da música. O Podcast n#2  já está no ar e Macedo assina o texto, a playlist, a locução, a execução instrumental e apresenta em tempo real, e sem edição, nos moldes de um programa ao vivo. 

Além de temas como Escalas Cromática, Pentatônica e Blues, já tratados no podcast #1, a série abordará parâmetros dos sons, textura, história do Samba, história do Choro, música tonal, lições de cavaquinho e violão e outros relacionados à teoria, prática e história da música.

No #2, que acaba de ir ao ar, ele aborda o Sistema Modal ou Modalismo como modelo de estrutura musical. Uma aula para quem estuda música, mas também para os ouvintes e apreciadores ampliarem suas percepções e conhecimentos sobre a arte musical.

Numa parceria com o site do Clube do Choro de BH, todas as edições serão disponibilizadas por aqui. Fiquem atentos e acompanhem.




Du Macedo é licenciado em Música pela UEMG - Universidade do Estado de Minas Gerais, atua como professor na Escola Livre de Artes Arena da Cultura e em seu home-estúdio, além de participar de diversos projetos musicais como o "Beco do Choro" e grupos como o "Choro da Mercearia", que promovem rodas semanais, mantendo viva a tradição do Choro em nossa cidade.