29 de outubro de 2013

NA PRÓXIMA TERÇA, NÃO PERCA O SHOW EM HOMENAGEM A WALDIR SILVA, PROMOVIDO PELO CLUBE DO CHORO DE BH.

Waldir Silva - foto: divulgação Conservatório UFMG

Na próxima terça, 5 de novembro, o Clube do Choro de BH, em parceria com o Conservatório UFMG, promove show especial em homenagem ao seu sócio fundador, Waldir Silva. O show tem início às 20 horas, com entrada franca.
O espetáculo apresentado por Acir Antão, contará com a presença no palco dos músicos associados, Mozart Secundino (Violão 6 cordas), Lucas Telles (Violão 7 cordas), Zé Carlos Choairy Cavaquinho), Hélio Pereira (Bandolim), Renato Muringa (Bandolim), Zito (Pandeiro), Marcela Nunes (Flauta), além de outros convidados. No repertório, os grandes sucessos e composições do inesquecível Cavaquinho de Ouro. 


Cavaquinista Waldir Silva (28-5-1931 / 1-9-2013)

O cavaquinista mineiro Waldir Silva nasceu em Bom Despacho e começou a tocar aos 6 anos, com um instrumento que ganhou de presente do pai. Em Belo Horizonte, para onde a família se mudou, foi morar no bairro Renascença, continuou a estudar cavaquinho e conheceu muita gente da área musical, fazendo amizades com aquele seu inconfundível jeito simples, alegre e descontraído. Participou de vários conjuntos regionais, tocou ao lado de instrumentistas famosos e artistas de expressão nacional, em shows ao vivo, casas de espetáculos, exposições, serestas, circos, comícios, festas populares e em programas de rádio e televisão da época.
Gravou 29 long-plays e 9 CDs, obtendo sucesso extraordinário, no Brasil, Portugual e em outros países. Conhecido como "O Cavaquinho de Ouro", Waldir Silva tornou-se o maior vendedor de discos de Minas, somando mais de 6 milhões de cópias durante sua brilhante carreira. A primeira gravação alcançou repercussão nacional pelo ineditismo: "Telegrama Musical", uma composição própria, que transmitia pelo cavaquinho, um telegrama, lembrando a sua profissão de rádio-telegrafista. O então Presidente da República Juscelino Kubstichek recebeu um exemplar do disco e respondeu parabenizando-o também em código-morse, que conhecera na juventude, como rádio-telegrafista que foi trabalhando nos Correios e Telégrafos.
O operador de telégrafo se transformou no ás do cavaquinho e construiu sua carreira em Belo Horizonte, com o Regional Waldir Silva. Chegou a acompanhar astros e estrelas como Dorival Caymmi, Emilinha Borba, Isaurinha Garcia, Nelson Gonçalves e Luiz Gonzaga. Waldir compôs parte da trilha sonora da novela Pecado Capital, exibida pela Rede Globo em 1975, e ganhou o Prêmio Sharp de Música Popular Brasileira em 1996.
Como cavaquinista consagrado, compositor, arranjador e diretor musical, Waldir Silva participou destacadamente dos principais movimentos musicais ocorridos por aqui, nos últimos 60 anos. Durante um período de quase 20 anos, dirigiu, atuou e ajudou a organizar os projetos "Minas ao Luar" e "Minas em Serenata", patrocinados pelo SESC/MG, tendo visitado mais de 100 cidades mineiras. Detalhe curioso é que, cada cidade visitada, ganhava do Waldir um hino composto por ele, que ele próprio fazia questão de doar e entregar ao prefeito, com a letra e partitura.
O inesquecível e saudoso músico Waldir Silva gostava de ajudar e orientar os músicos jovens que o procuravam pedindo ajuda. 
Foi associado-fundador do Clube do Choro de Belo Horizonte, tendo colaborado sempre com os colegas do meio musical e ajudado a diretoria do Clube com sua grande experiência de músico e instrumentista.

Relembrando o amigo Waldir

A memória de Waldir está viva e permanece em cada um dos amigos.
Luiz Otávio Savassi, associado do Clube do Choro de BH, amigo e médico particular de Waldir Silva, encerrou seu último artigo na coluna "Histórias do Choro" nos descrevendo: "em março de 2013, fui testemunha de uma cena por demais comovente, protagonizada pela filha de uma paciente: ao se deparar, em meu consultório, com a inconfundível figura de Waldir Silva, a quem "adorava", e cujos discos possuía-os todos, iluminou-se-lhe o semblante, de modo a reforçar em mim a convicção de que os artistas queridos pelo povo estão incluídos entre os grandes benfeitores da humanidade".
Também Acir Antão conviveu muito de perto com o grande amigo Waldir Silva. Foram muitos anos, fazendo entrevistas, viajando, cantando ou se apresentando juntos em audições de serestas pelas montanhas de Minas. Ele afirma: "o músico Waldir Silva foi uma pessoa muito sincera e humilde, tão simples, que não se impunha para mostrar a sua condição de artista completo, que sempre foi".
José Carlos Choairy também se emociona ao lembrar do amigo: "a gente era considerado mais que irmão, pela afinidade, amizade e respeito mútuo. O Waldir era uma figura ímpar, como músico e amigo. Ele confiava em mim e sabia que podia contar sempre comigo. Num ensaio ou audição, na dúvida, ele perguntava - "Cadê o Zé Carlos?"
Todos guardam consigo algo muito especial sobre ele, a exemplo do que nos ilustra Hamilton Gangana: "Tenho na lembrança a figura alegre e sorridente do Waldir Silva, representante de inúmeras gravadoras, circulando pelo centro da cidade, sempre de paletó e gravata e portando uma enorme pasta de Discos Invendáveis - as amostras que o ajudavam a "tirar pedidos" para as lojas especializadas, que eram muitas, vale dizer. Bons tempos que não voltam mais... "
A admiração por Waldir é uníssona, e aqui também é traduzida pelo violonista Carlos Walter: “mestre Waldir Silva, bom amigo e cidadão exemplar! Dono de uma trajetória premiada e desbravadora que levou Minas Gerais e a música instrumental brasileira aos quatro cantos do mundo. Que a sua obra imortal e o som transformador de seu cavaquinho mágico atravessem gerações, inspirando vidas e ouvidos seletos!” 


SERVIÇO
Homenagem a Waldir Silva . Show dos amigos e associados do Clube do Choro de BH em parceria com o Conservatório UFMG.
Data: 5 de novembro, terça-feira.
Horário: 20 horas.
Local: Conservatório UFMG – Av. Afonso Pena, 1534 – Centro BH/MG
Entrada franca.
Info: 3409-8300

Waldir Silva, em momento mágico, tocando Ave Maria de Franz Schubert, 
no Conservatório UFMG - Projeto Pizindim. (Vídeo: Amilton Costa de Faria)