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12 de fevereiro de 2021

BOM DIA, TURMA DO ZITÃO!

Eurico Paulino, o Zito do Pandeiro - Foto: Anderson Costa

Diariamente, um sonoro e carinhoso "bom dia, turma da roda de Choro do Zitão!" é recebido calorosamente por um grupo de músicos e instrumentistas em Belo Horizonte. É com esse prefixo que o pandeirista Eurico Eduardo Paulino, o Zito, saúda os amigos que se reúnem através de um aplicativo de troca de mensagens e comunicação em áudio e vídeo pela internet. Inspirados pela amável e diária saudação, os amigos vão compartilhando informações e produções musicais surgidas na pauta da amabilidade.

De segunda a domingo, a saudação do Zito vem diretamente do quintal de sua casa, tendo ao fundo o pio dos pássaros que anunciam que a jornada vai ser boa. Puxando pela memória, o chorão que já conta 85 anos de idade, faz reverência ao dia, dando uma benção individual a cada um dos seus companheiros do grupo. Citando seus nomes, ele prossegue saudando a amizade e reafirmando o quanto de afeto pode existir nos acordes de uma roda de Choro.

Recentemente, o flautista Luiz Pinheiro, trouxe para o grupo um "remix" com o bom dia do Zito. O pandeiro que se ouve ao fundo é gerado no computador a partir do ritmo da fala, ou melhor o "swing" da voz do Zito. E é assim  ouvimos mais um dominical bom dia do velho Chorão.


Também inspirada pelas saudações do Zito, a flautista Mariana Bruekers compôs um Choro que recebeu exatamente o título, "Bom dia turma do Zitão!". Esta, no entanto, não é a sua primeira homenagem direcionada a ele. No ano passado, quando o Clube do Choro promoveu o Palco Carinhoso, um projeto colaborativo em celebração ao Dia Nacional do Choro, Mariana abriu a programação cantando e tocando "Velhos Chorões" (Luciana Rabello), dedicando a performance ao Zito e outros instrumentistas da Velha Guarda do Choro de Belo Horizonte (confira aqui).

Na última semana, Mariana Bruekers, acompanhada dos instrumentistas Alvaro Terroba  (cavaquinho) e Analu Braga (pandeiro) em uma apresentação surpresa e ao vivo no quintal da residência do próprio Zito, fizeram o que foi chamado de "o lançamento mundial" do Choro recém composto, para arrancar mais um inconfundível sorriso  (mesmo que sob a máscara e o distanciamento físico seguro) no  querido Zitão. Confira você também.



Eurico Eduardo Paulino é mais conhecido como Zito e toca pandeiro desde a juventude. Nascido em 22 de junho de 1935, foi criado no bairro Sagrada Família, região leste de Belo Horizonte e desde os tempos de menino ficava admirado com o som típico da pandeirola (pandeiro sem couro),instrumento movimentado por vários personagens nas folclóricas manifestações religiosas de Congado e Folia de Reis. E não deu outra, diz ele: “de apreciador, fui batendo, aprendendo, ensaiando e acabei virando pandeirista profissional”. Autodidata, Zito conta que a música só lhe deu alegrias. “Foi com ajuda daquele dinheirinho extra, que passei a ganhar tocando pandeiro em festas e audições, que consegui formar três filhos na universidade”. Sua profissão oficial era a de vendedor- balconista em lojas do comércio, e, quando aposentou, entregou-se inteiramente ao pandeiro.

Zito, pandeirista associado ao Clube do Choro de BH - Foto Anderson Costa.
Começou em 86 no grupo Sacatrapo do pioneiro Beco do Choro, na Savassi com Belini, Hélio Pereira,
Wagner e Mozart. Depois participou dos conjuntos Os Ingênuos, Odeon, Alcatraca, Feitiço da Vila, Velha Guarda do Choro, Choro Chorado, Fino do Choro, Belo Choro . Acompanhou os grupos de choro do Palácio das Artes e Pedacinhos do Céu de Ausier Vinícius.

Considera-se feliz por ter atuado em audições de artistas famosos como Nelson Sargento, Emilinha Borba, Elza Soares, Paulo Sérgio Santos, Belchior, Ronaldo do Bandolim, Zé da Velha e Silvério Pontes, Hamilton de Holanda, Paulinho Pedra Azul e Cesar de Faria (pai de Paulinho da Viola). Também tocou ao lado de Bozó e Nuca (ambos de Recife) e do nosso festejado Waldir Silva, em diversas oportunidades.

Zito é sócio do Clube do Choro de Belo Horizonte, desde a fundação da entidade. Há vários anos, participa das rodas de Choro da cidade e se tornou, ao lado de outros Chorões da Velha Guarda um elo de afeto e respeito entre diferentes gerações do Choro belo-horizontino.