12 de outubro de 2016

Festival Choro e Samba de BH encerra hoje com grandes atrações.

Conjunto Época de Ouro e Pirulito da Vila se apresentam em Santa Tereza.



Com uma realização conjunta da Minas Gestão Cultural e Clube do Choro de Belo Horizonte, a sexta edição do Festival Choro e Samba de BH chega ao seu terceiro e último dia, trazendo grandes atrações em seu show de encerramento. O Conjunto Época de Ouro e o sambista Pirulito da Vila se apresentam a partir das 17 horas, na Praça Duque de Caxias (bairro Santa Tereza).



A programação começa, com o itabirano Gilmar Styerfeson, o conhecido Pirulito da Vila, um prodígio em matéria de música. 
Pirulito da Vila - foto: Gilson Fernandes
Pirulito começou sua carreira ainda criança, quando aos sete anos foi ritmista na Escola de Samba em Cima da Hora em sua cidade natal e aos quatorze ingressou no Axé Igbá, grupo rítmico com fortes raízes na cultura negra. Ali, rapidamente se tornou mestre de bateria. Aos dezenove montou ao lado de Tico e Beto Senegal, a Banda Senegal, onde teve as suas primeiras músicas gravadas. Foram elas: “Ui, Ui, Ui” e “Swing do Negão”. Posteriormente se integrou ao grupo Mistura Brasileira, tendo quatro músicas de sua autoria gravadas pelo grupo: “Diz que me ama”, “É paixão”, “Cavaco no Morro” e “Samba do Trenzinho”.
Pirulito da Vila tem ainda uma importante passagem pelo grupo Cachaça com Arnica. Com o grupo compôs vários sambas e gravou, acompanhado por este, seu primeiro CD e vídeo clipe, imortalizando a Mercearia Paraopeba, ponto turístico de Itabirito, reconhecido internacionalmente.
Outros projetos importantes na carreira de Pirulito foram a gravação do cd de Thelmo Lins, somente com músicas de sua autoria, que contou com a participação do cantor Vander Lee e a gravação do samba “Convite para sambar”, de sua autoria, pelo premiado sambista carioca Marquinhos Sathan, samba que deu o nome ao mais recente CD do artista carioca.
Além de se apresentar ao lado de artistas como Arlindo Cruz, Bete Carvalho e Almir Guineto, no tradicional espaço de samba Beco do Rato, no Rio de Janeiro, também foi gravado por grandes nomes do Samba de Minas, como Marina Gomes e Ricardo Barrão.
Em 2015 lançou seu CD, batizado de “Tudo começa em Samba”, que é o resultado de muitos anos de batalha e experiências profissionais enriquecedoras. O trabalho apresenta um artista maduro e experiente, que se revela um sambista de primeira grandeza. 

Conjunto Época de Ouro. - foto:Camila Torzacki
Na sequência, às 18h30, o Conjunto Época de Ouro, o mais tradicional conjunto de choro do Brasil, fundado em 1964 por Jacob do Bandolim, sobe ao palco levando consigo meio século de Choro genuíno. O Conjunto tem uma carreira sólida construída com diversos espetáculos por todo o país levando às plateias arranjos elaborados interpretados com maestria por componentes exigentes.
Inicialmente o conjunto acompanhava Jacob do Bandolim que em alguns anos já se integrou aos demais, mantendo somente a denominação atual. César Faria, pai de Paulinho da Viola, comandava os baixos no violão de 6 cordas ao lado de Dino 7 Cordas que “brincava” com suas interpretações inacreditáveis que originou uma técnica específica de tocar o instrumento utilizada e admirada até hoje. O pandeiro era conduzido por Gilberto D´Ávila que logo deu lugar ao único remanescente da Época de Jacob até hoje que transformou em sobrenome o instrumento que lhe deu o título de maior pandeirista do Brasil: Jorginho do Pandeiro logo se juntaria ao grupo que também contava com o exímio solista Jonas da Silva ao cavaquinho.
Com a saída ou falecimento de integrantes, foram incorporados os músicos Walmar Amorim (cavaquinho de 1984 a 1988) substituído em seguida por Jorge Filho, no conjunto há mais de 25 anos. Os violões também se renovaram com Tony Azeredo, grande estudioso da história do choro e André Bellieny com 6 cordas incorporado ao Conjunto após o falecimento de César Farias. 
O instrumento símbolo do Conjunto Época de Ouro parou de tocar em 13 de agosto de 1969 quando Jacob do Bandolim deixava órfão não só o Época de Ouro mas toda uma classe de músicos, adoradores e amigos. Com seu falecimento muitos compromissos foram adiados e neste tempo o Conjunto atravessou um luto de três anos sem apresentações e aparições. 
Porém, por iniciativa de Paulinho da Viola, o Conjunto retomou suas atividades em 1973, em grande estilo, no famoso espetáculo SARAU, dando origem, inclusive ao Clube do Choro - idealizado por Paulinho da Viola e o crítico Sérgio Cabral num movimento, em todo o país em busca de dar maior amplitude a este gênero musical.
No comando do bandolim, o renomado músico Déo Rian que no mesmo ano seria sucedido por Ronaldo do Bandolim, virtuoso consagrado que dá o tom do Época até hoje em performances inigualáveis. Em 2006, também passou a integrar o Conjunto o flautista Antônio Rocha, reconhecido amplamente na música instrumental por solos perfeitos mostrando que mesmo após 40 anos o Época de Ouro traria uma novidade ao choro já clássico e inebriante.
Durante as 5 décadas comemoradas em 2014, o Conjunto, juntamente com Jacob do Bandolim de cuja discografia não há como desvincular, gravou mais de 40 discos.
Desde 2005, o Conjunto Época de Ouro tem um programa semanal, transmitido ao vivo pela Rádio Nacional Rio e pelo portal na internet [www.ebc.com.br] com a participação fiel da plateia que comparece a Sala FUNARTE no Rio de Janeiro, voltando no tempo, à época de ouro do rádio.

A produção do Festival Choro e Samba de BH está a cargo da IDEAR PRODUÇÕES CULTURAIS.