4 de fevereiro de 2016

Ó abre alas... está chegando mais um Carnaval. E em BH tem Rancho Carnavalesco na Sapucai.

Cordão no Carnaval do Rio Antigo. Ao centro, agachado, de camisa branca e gravata, o compositor Sinhô.

Está chegando mais um Carnaval, mas a folia é muito melhor com uma boa trilha sonora. Antes mesmo dos sambas-enredo e os trios elétricos se tornarem as estrelas dessa festa, eram as marchinhas que alegravam os foliões. Com uma origem que remete ao final do século XIX, o gênero foi criado a partir da cadência da marcha portuguesa. As marchinhas já foram conhecidas como as caricaturas da sociedade brasileira: as letras maliciosas e divertidas, têm um humor declarado e retratam os costumes e a história do país no século passado. O politicamente correto não tem espaço, não existe tema proibido, as frases de duplo sentido são bem-vindas e qualquer tema sério se transforma em uma grande brincadeira.

Chiquinha Gonzaga. Compositora da primeira
marchinha de Carnaval.
A primeira música reconhecida como marcha de Carnaval foi “Ó abre alas”, composta pela pianista e regente Chiquinha Gonzaga, em 1889, para o cordão carnavalesco Rosa de Ouro. A pioneira marchinha de carnaval não conheceu publicação, como tal, em vida da compositora. Criada durante ensaio do cordão Rosa de Ouro no Andaraí, bairro na Zona Norte do Rio de Janeiro, onde residia a maestrina na ocasião, a despretensiosa marchinha foi inspirada no andamento do cordão, que sabemos utilizar a procissão religiosa como matriz. Nascia ali, em fevereiro de 1899, a marchinha, um gênero novo que ainda prestaria grandes serviços ao carnaval carioca. Até então, a festa que viria a representar a nacionalidade brasileira não tinha música própria.
Nos bailes mascarados dos salões, a elite dançava ao som de polcas, habaneras, quadrilhas, valsas e mazurcas, enfim, dos gêneros de dança de salão da época. Nas ruas, o povo se divertia com a percussão do zé-pereira, o som de baterias cadenciadas e canções reaproveitadas: cantigas de roda, hinos patrióticos, chulas, trechos de óperas, árias de operetas, fados lirós, quadrinhas musicadas na hora e até marcha fúnebre. É certo que ranchos e cordões, na virada do século XIX para o XX, já se utilizavam de certas canções, inclusive um tipo de marcha apropriada no andamento, e bradavam também a palavra de ordem para abrir passagem na multidão. Mas uma música especialmente concebida para a festa não ocorrera a nenhum compositor.
Chiquinha Gonzaga fixou definitivamente o gênero ao criar a canção carnavalesca. Com isso ela se antecipou em 18 anos, pois só a partir de 1917 o carnaval passaria a ter música regularmente.
Incapaz de prever o que a posteridade reservava à sua singela marchinha, Chiquinha a incluiu na peça de costumes cariocas Não venhas!…, representada no Teatro Apolo em janeiro de 1904. Logo publicada por seu editor como ‘dobrado carnavalesco’, servia ao enredo da peça como o maxixe do cordão Terror dos inocentes. Só em 1939, quando a jornalista Mariza Lira preparava a primeira biografia da compositora, Ó abre alas foi publicada na sua integralidade, já reconhecida como pioneira. E assim, mais uma vez Chiquinhanha Gonzaga se apresenta como uma mulher à frente so seu tempo e promotora de registros históricos para a alma da música brasileira.
Fonte de consulta: Acervo Digital Chiquinha Gonzaga

Em BH, o "Rancho Carnavalesco Memórias Cantando" estreia no próximo sábado, celebrando os sucessos dos velhos Carnavais.

Programado para estrear no próximo sábado (6), o Rancho Carnavalesco Memórias Cantando pretende celebrar os velhos tempos com as músicas que embalaram os antigos Carnavais. O evento terá início a partir das 14 horas, na Rua Sapucaí, em frente ao número 527, no bairro Floresta.
Organizado pelo Regional Mineiro, formado pelos músicos Artur Padua, Daniel Capu, Mateus Fernandes e Roberto Amaral o rancho contará com outros músicos convidados  e propõe relembrar marchas e sambas de Carnaval de compositores como Chiquinha Gonzaga, Lamartine Babo, Braguinha, Pixinguinha, Wilson Batista, Haroldo Lobo, Zé Keti, entre outros.
Programe-se para a folia: vista sua fantasia, reserve serpentinas, confetes e leve muita alegria.

Dircinha e Linda Batista - "Ó abre alas" - Chiquinha Gonzaga 
"Ó abre alas" foi o primeiro grande sucesso carnavalesco do Brasil. Composta em 1899, a pedido do Cordão Rosa de Ouro, que ensaiava nas proximidades da residência de Chiquinha Gonzaga, essa “marcha carnavalesca”, constituiu a maior atração do Carnaval daquele ano e se manteve nos cinco anos seguintes como campeã absoluta desse festejo popular.