Waldir Silva
“Nos tempos de Ernesto Nazareth e Zequinha de Abreu”
Fernando Sodré (Violeiro)
Grupo Flor de Abacate
“Batuque”

.: O choro em Belo Horizonte :.

Belo Horizonte e o choro.

(Marcos Flávio Aguiar Freitas)

Até o advento da rádio-transmissão, o contato de Belo Horizonte com o choro era muito incipiente, resumindo-se, até a década de 30, praticamente a partituras vindas do Rio de Janeiro. Neste período, entretanto, deve-se destacar um fato importante no desenvolvimento do choro em Belo Horizonte: a apresentação do grupo Oito Batutas (Liderado pelo Pixinguinha) em 21 de janeiro de 1920 no Cine América.

O contato dos mineiros com o grupo mais significativo do choro de todos os tempos, pode ter sido a semente que estimulou a formação dos primeiros grupos regionais de Belo Horizonte.

A música popular brasileira, com o advento do Rádio na década de 30, teve um grande impulso. Compositores, cantores e vários grupos subitamente se tornaram mais conhecidos usando o rádio como principal meio de divulgação da música.

Os cantores da época eram acompanhados por Grupos Regionais, contratados pelas principais rádios da época (Rádio Inconfidência e Rádio Guaraní).

Esses grupos se reuniam em encontros semanais para tocar choro principalmente, que aconteciam em casas de apreciadores do gênero, como a do Srs. José Amâncio (Violonista), Zé Barbeiro (Violonista), Bizeca, Antônio do Breque e Aristides.

Os primeiros expoentes do choro em Belo Horizonte, também integrantes dos regionais das principais rádios, foram Juvenal Dias (flauta), Bento de Oliveira (violão), Ofir Mendes (clarineta), Hilário Alves (violão), Mário Vaz de Melo (pandeiro), João Batista Júnior – Zinho, Nico (flauta), Miro (cavaco), Aristides (violão), Tuta (violão), Jair Silva (pandeiro), Orlando Pinto (bandolim), Inhô (cavaquinho), Nonô Caolho (cavaco), Chiquinho (7cordas), Canhoto (violão), Rocha (clarinete), Veludo (acordeon), Aláides (pandeiro), dentre outros.

Em seguida surgiram, Waldir Silva (cavaquinho), Milton Mota (violão), João Fagundes (violão), Alcemar (trompete), Bororó (percussão) e Osvaldo Jordão (pandeiro).

Na década de 1960, as rádios passaram a contar com novos recursos, o que tornou a sua programação cada vez mais mecânica, forçando a dispensa dos artistas que compunham os regionais. Assim, como no início de sua história, os grupos de choro voltaram-se mais para o ambiente de suas raízes, as rodas de choro em encontros domésticos ou de cunho não comercial como aniversários e serestas, ou ainda restrito a alguns restaurantes e bares preocupados em oferecer música alternativa às correntes divulgadas pelos veículos de comunicação de massa.

A partir da década de 1970, alguns anos após a morte de Jacob do Bandolim, houve uma redescoberta do gênero, evidenciando um reconhecimento do valor de músicos como Pixinguinha, Jacob do Bandolim, Waldir Azevedo e do mineiro Abel Ferreira.

Os grupos de choro surgidos naquela década foram Waldir Silva e Grupo, Naquele Tempo, Abandonado Choro, Sacatrapo, Revendo o Passado, Feitiço da Vila, Odeon, Choro Chorado, Flor de Abacate, e Central do Brasil (posteriormente Sarau Brasileiro).

Waldir Silva foi o primeiro músico de Belo Horizonte a se firmar nacionalmente como instrumentista e compositor de choro por meio de gravações.

Atualmente, o cenário do choro em Belo Horizonte é bem rico e diverso, representado em várias casas noturnas que dão espaço aos grupos de choro pelo menos um dia por semana.

Como em todo o país, muitos grupos de choro nasceram e foram desfeitos na história de Belo Horizonte.

Entre os que conseguiram se manter por um tempo maior e hoje são referência musical na cidade, se destacam: Sarau Brasileiro, Waldir Silva e Grupo, Pedacinhos do Céu, Paulinho 7cordas e Grupo, Wagner 7cordas e Grupo, Siricotico, Corta-Jaca, Gabriel Guedes e Grupo, Sampaio/Mário e Grupo, Boca de Siri, e Grupo Flor de Abacate dentre outros.